Tempo...
Uma hora. O que cabe em uma hora? Quantos segundos completam uma hora? Quantos sorrisos caberiam sem que ficassem pela metade? Quantas lágrimas rolariam até que você pudesse se dar conta de quanto sua vida mudou. Você usaria essa hora para fazer o que? Lamentar, correr, pular,deitar na rede, pular ondas,ver o mar? Vamos, pense. O tempo esta passando. Quantas palavras você diria a pessoa que ama, quantas vezes beijaria, quantos sonhos você teria? Já não tem mais uma hora, alguns minutos já se foram e você nem se deu conta de como as coisas passam depressa. Eu queria poder voar! Será que conseguiria em menos de uma hora?
Sessenta minutos repetidos todos os dias, por 24 vezes. E você apenas sabe seguir sua rotina, sem pensar no que fazer para ocupar de maneira sadia seus preciosos minutos, que devo lembrar, nunca mais serão os mesmos. Repare. A lua pode estar linda hoje, mas ela nunca mais vai ter o mesmo brilho, nem estar naquela exata posição e no mesmo horário que você a viu. Cada momento é único, singular, próprio para fazer o que se deseja fazer. Quantos pingos de chuva poderiam cair, enquanto você olha pela janela e vê que seus sonhos já não suportam mais ficar na caixinha de espera?
Pra onde a sua imaginação te leva quando fecha seus olhos? Que mundo você consegue ver? Algo real, algo imaginário?Quantas vezes você poderia suspirar nesses minutos que ainda te restam? Você roubaria, você fugiria, dançaria sem roupa, faria uma fogueira em noite de lua cheia, seria poeta, decifraria teoremas? Quanto tempo será que ainda resta pra poder ser você mesmo?
Quantas vezes prometeria coisas e cruzaria os dedos, com medo de cumprir promessas muitas vezes sem sentido. Já parou pra pensar que pode não estar vivo dentro de alguns minutos, segundos talvez. E o que você fez? Já arrancou flores de um jardim qualquer. Já pulou o muro da pracinha, já brincou de pegar e de esconder?Já teve dor na barriga de tanto rir, já chorou de felicidade porque se percebeu diante de alguma maravilha da vida?
Já se sentiu feliz plenamente sem que precisasse que alguém soubesse disso?
Já acordou de madrugada com vontade louca de fazer amor e olhou pro lado e viu que ali estava a pessoa que passaria o resto da sua vida contigo?
Já se sentiu protegido, como se o mundo pudesse te esperar decidir o que será melhor em cada momento?
Já usou todos os perfumes que gostaria? Tic-tac, tic-tac , o tempo esta passando e ainda não me disse o que faria nessa hora, que aliás, esta esvaindo mais uma vez. Quantos sonhos você teria pra enterrar se essa fosse sua última hora?
Já conseguiu se sentir vivo, conseguiu ouvir seu coração pulsar tão forte que parecia que ia sair pulando de dentro do peito? Comeu com vontade, andou descalço depois das seis? Fez coisas bobas e se sentiu feliz por fazer isso?Já não tenho mais uma hora, apenas vestígios de tempo, restos de minutos, mas sei que ainda há tempo pra se fazer muita coisa.
EU:
Talvez usar a palavra adeus seria adequado nesse momento, mas prefiro não me despedir. Acho as despedidas tristes demais. Prefiro um até logo.Soa mais tranqüilo, mais breve,é até mais leve pra se dizer, porque da a noção de que em breve nos veremos. Eu sei que uma hora tem uma importância tremenda, mas sabe, nesse momento eu precisaria apenas de um minuto desses sessenta minutos que eu tinha anteriormente. Um minuto pra dizer: te amo, que bom que te encontrei. Eu juro,dessa vez sem dedos cruzados, que pra mim bastaria. Pois poderia ver seus olhos, de novo, olhando os meus. Eu poderia te deixar partir se me fosse permitido te ter por um minuto. Mas a vida, e o tempo e todas as coisas mais fúteis, nos separam.Ah se eu tivesse esse um minuto! Eu poderia voar.
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Sábado, Agosto 12, 2006
Apenas leia!
Sentir e não poder explicar
Ver seus olhos se encherem de lágrimas
Parou o tempo
Mentiras, dor, medo
Poderia passar a vida sem sentir isso
Poderia negar pra sempre
Poderia ser tudo mais simples
Menos superficial
Poderia ter projetos
Amigos
Sonhos .
Mas parei por aqui
Sinto e não posso explicar
Sinto algo que não preenche
Algo que se esvai
Algo que machuca
E me pergunto se isso é real!
Quantas esquinas
Quantas pessoas
Quantos sonhos desenhados
Quantas palavras não ditas
Quantos papéis nas gavetas!
Olhos tristes, coração machucado.
Sempre a incerteza, o caos, o ócio!
O mundo me apavora
As pessoas não me distraem,
Apenas mentem e se auto-enganam.
Se eu pudesse voltar
Se eu pudesse deixar de sentir
Se eu pudesse falar!
Se eu pudesse não ser, por um instante
Eu desejaria mudar
Mudar hábitos,
Sorrisos e figuras.
Mas como explicar o que não se explica?
Como negar o que se afirma diante de meus olhos?
Como proteger meus olhos desses vales sem fim?
Como fugir de mim?
Seria mais fácil se eu pudesse fechar meus olhos,
E não ter mais sonhos, nem de dia, nem de noite.
Seria mais fácil se eu soubesse o que fazer,
Pra onde ir, como me guiar no meio de tanta gente!
Gente que vem, gente que vai...sempre gente!
Seria mais fácil se eu soubesse o que fazer com essas palavras,
Se eu tivesse sentido para tudo que penso,
Se eu pudesse dizer que agora sinto,
Seria tudo mais fácil.
Onde será que me guardei?
Onde será que me escondi?
Quando foi que permiti isso?
Em que espaço eu queria estar?
Quantas palavras! Quanto medo!
Quantas incertezas, dissabores.
Queria apenas saber pra onde meus pés vão!
Pra onde meu sorriso me transporta.
Do que eu sou capaz?
Quem sou eu?
Quem é você que me lê?
O que mais deseja do mundo?
O que mais deseja dos próximos anos?
Quem manda aí dentro: razão ou coração?
Poderia ser mais simples explicar algumas coisas,
Se em meu peito não houvesse tanta saudade!
Saudade de coisas que não vivi, de coisas que esqueci,
De pequenas vitórias, estranhos projetos,
De ser o que sempre quis!
E quem sou?
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Quinta-feira, Junho 01, 2006
NECESSIDADE
Não posso mais surpreender meu coração, nem correr pelos cantos, me firmando em paredes pouco seguras. Não posso mais prender o fôlego, nem abafar meu grito.
Costumava dividir meu dia pelo relógio, mas as horas são mais que ponteiros passando pelos minutos.
Agora me divido entre o que sou e o que quero ser. Entre o que busco e o que mais me apavora. Agora sou eu que estou aqui, calando vozes em meu coração, para não explodir meus medos, para não deixar escapar entre meus olhos lágrimas de desespero.
Há destempero na minha alma, meu despreparo vai além do que não sei. O que me cerca é mais que fato, é notícia, são almas perambulando em busca de sei lá o que.
Não posso correr, nem fingir que nunca estive aqui. Isso faz parte de mim. As marcas em minhas mãos denunciam meus frágeis momentos. Não quero mais me curvar diante das crises, não quero mais sentir que dependo inteiramente de sua vida para que eu me complete. Não quero mais desabrigar meus sonhos em nome de um amor que pouco sabe de mim. Um amor que se esvai sempre que desligo o telefone. As brigas me matam.
Não posso mais competir com a realidade do que nos tornamos. Quero fugir do fim, fugir dessa menina que tenta ser feliz, quero fugir de mim.
Não quero mais ter que me abandonar pelas palavras que deixo de dizer. Sou eu que estou aqui, eu que estou falando contigo, eu que quero saber da sua vida. Sou menina, sou criança, sou adulta, sou mulher.
Tudo seria mais fácil se eu não te amasse, se meus planos não fossem ligados aos seus. Tudo seria mais simples se eu não desejasse você todos os dias da minha vida, se eu não precisasse da sua voz sempre que sinto meu coração apertado. Se a sua ausência não fosse tão triste pra minha alma.
Não posso permitir que meu dia seja sem graça quando não está por perto.
Por causa de você não sei mais o que fazer. Não sei mais dividir o certo e o incerto. Não sei mais quando erro ou quando simplesmente pulo mais uma etapa.
Fiquei perdida nessa linha tênue que divide a sanidade da loucura. Então o que é o amor?
É mais que um enlace de corpos e almas que se espreitam entre quatro paredes?
É mais que se sentir amado e rir do riso? É abraçar o vento, deitar no colo esperando cafuné?
É mais que correr pelo parque, brincar de esconder?
O amor protege? Protege seus olhos quando não quer ver? Te segura quando está prestes a cair?O amor é submisso? Ele te faz dormir? Ele me fala de você sempre que sinto meu peito gritar sua saudade?
Amor é sentir vontade de ter um filho seu? É ter vontade de estar junto pra sempre, sem que precise de termo ou contrato assegurando que realmente devemos estar juntos?
Amor , mesmo que eu já não seja mais aquela pessoa que era há alguns anos, você vai me amar e adorar a minha presença em cada minuto do seu dia?
Vai ter a certeza que era isso mesmo que faltava no seu mundo?
Vai saber me entender? Me respeitar? Me amar como se eu fosse única?
Não quero mais te que refazer planos , repetir diálogos. Quero você sempre. Mesmo quando meus ossos já não suportarem mais o peso do meu corpo. E eu te amarei pra sempre e por todo o sempre.
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Quarta-feira, Abril 05, 2006
PEDAÇO DE MIM
Ele apenas a olhava sem saber o que esperar. Apenas sabia que aquela espera era a certeza de que os momentos que viriam seriam inesquecíveis. Ela o amava tanto que mal sabia como dizer isso à ele. Ele, apenas um menino confuso, não sabendo mais o que fazer com suas vontades, dizia que sentia falta dela.
Menino de longe, que também olha o céu, que também vê as estrelas, que também sonha. Menino distante que despertou algo desconhecido em um outro ser. Um ser que acreditava ter visto e sentido de tudo. Para ela, não bastava apenas saber se ele estava bem, queria dizer pra ele o que seu coração mandava . Sem pensar , disse com todas as letras, algumas palavras que fazem muitos sábios se calarem. Amor, não é termo, nem contrato , é sentimento.
Ela sabia que era preciso o esperar, sabia que todos os dias iria lembrar do sorriso dele, do som da voz, sabia que ia sentir saudade do seu jeito, e mesmo assim, não desistiu de tentar. Ele, muitas vezes triste, muitas vezes impaciente, negou amor, negou sentimento. Negou o que seu coração queria mostrar, queria sentir.
Mas o amor dela, não se sabe porque, só crescia. Ela fez planos, investiu todo o sentimento em uma esperança: a de encontrar ele nem que fosse por alguns momentos. Ela sempre fecha seus olhos na tentativa de que isso a aproxime mais dessa falsa verdade. Ela apenas imagina, apenas tem momentos, ama sem pedir amor. Ele se cala, ele se fecha, ele se transforma dia a dia. Ela quer ele do jeito que for, não sabe mais o que fazer para pensar em outra coisa, nem que seja em apenas um segundo do dia. Ela espera sua presença, ela sonha com seus beijos, ela cria cenas, ela viaja, ela tenta e tenta e tenta.
Ele fica mudo, se tranca no seu quarto com suas dores e se cala mais uma vez. Ela só quer saber dele, saber do que se passa, porque ela o ama . Ele diz que ela não deve querer saber mais disso, dessa dor que ele carrega, desse medo que freqüenta seu peito. Mas ela quer saber, ela quer o ajudar, ela quer o amar sem que existam mentiras, sem que existam segredos. Ela quer a totalidade, quer mais que um namorado, noivo, quer um companheiro, uma pessoa que confie nela todos os dias.
Ela chora. Olha pro horizonte, se desespera, o coração dói. Ela só quer ser feliz e chega a duvidar que um dia será, porque seu coração se entrega, não vê caminhos. Seu coração se magoa, se machuca, se engana.
Ela só queria a realidade, a concretização dos planos. Queria suprir a carência de sua alma. Quer acreditar que tudo que já foi dito é verdade. Ela quer a verdade.
Mas ele? Ele se fecha. Ele não conta, ele não confia. Permanece sempre com essa dor. Cada vez mais carrega dores.
Ela só queria poder abraçar ele e ter certeza que tudo vai dar certo. Só queria que não existisse mais medo. Queria vida, amor, paixão, beijo na chuva, olhar pro céu, correr sem saber para onde. Ela só queria que ele permitisse esses momentos. Ela queria que ele não negasse isso, nem que fosse por um dia, algumas horas. Ela ama tanto ele, que o deixaria livre, para que fosse feliz da maneira que ele escolher, do jeito que ele achar melhor.
Os momentos que ela imagina??? Ah sim, se não se tornarem realidade, serão apenas mais umas de muitas lágrimas de medo, de dor e saudade.
E ele? Vai estar mais uma vez em seu quarto, sozinho, com suas dores, seus medos e quem sabe seus amores.
A vida volta a bater na porta dele e ele não quer abrir. Quer ficar lá, no canto, fechado, se remoendo. Ele não sabe mais que o sol existe.
Amanda Maria de Freitas ¿ 04/04/2006
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Segunda-feira, Março 06, 2006
SE EU PUDESSE ESCOLHER...
Não é a pureza do tempo, nem a esperteza das almas que me faz despertar agora. São essas inúteis auroras que invadem minha manhã, que desejo desperdiçar depois de mais um dia. E não vejo mais nada.
Se esses soluços são necessários , o que dizer dos sorrisos que sempre prego nas faces?
Seriam inúteis essas formas de alegria? Ah! Saber que nada mais me abate é ignorar as adversidades que sei que sempre virão. E as janelas podem estar trancadas e o vento? Ah! o vento sempre entra pelas frestas.
Não são as roupas , nem o perfume, nem os borrões das graxas nos sapatos, são as faces neutras que me encantam. Interpelo os cabelos embriagados em proteínas e cheirando a bálsamo. A pureza das manhãs me consola.
As ondas, ah sim, elas afagam meus sonhos. Basta fechar os olhos e imaginar que dentre as correntes marítimas, meus pensamentos divagam e se encaixam em algo , em algum lugar que ainda desconheço.
Eu poderia ser tão você nesse momento! Bastaria intercalar suas vontades com as minhas e eu saberia exatamente o que passa em sua mente. Quero sua face. Seus olhos, o brilho da sua pele. E desenharia nas nuvens os seus sonhos e interpretaria tua alma, que pede calma eu sei.
Visitaria o inalcançável e despertaria cedo demais para saber o que faço acordada tão cedo.
E meus medos viajariam para qualquer lugar mais distante que o tempo possa calcular. Eu seria você e você seria eu. Na mais pura certeza que é isso que queremos.
Não foi seu sorriso, foi sua alma triste que me incentivou a te querer. É esse querer que transpõe todos os problemas, todas as amarguras que porventura eu venha a sentir nesses dias.
E o tempo? Só cura, só beneficia, só me faz te querer mais e mais.
A brevidade da vida chegou a me incomodar, mas agora nessa fração de tempo que me atraiu para essas palavras, sinto que todo segundo, contigo é mais que momento. Eu poderia chamar isso pra sempre de: felicidade.
E amaria seu riso, mesmo que me fosse negado depois de sua chegada, e despertaria em meu coração, a saudade que sempre sinto em demasia e sem medo de senti-la assim, por completo.
Então, se não é você, não sei mais quem seria...
Amanda Freitas
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Quarta-feira, Janeiro 04, 2006
VOCÊ!!!
E se eu pudesse te ter aqui perto, sem que precisasse dizer essas inúteis palavras?
Se eu pudesse olhar bem dentro de seus olhos e dizer que...não sei quem eu sou se você não está por perto.
E que não sei o que fazer na sua ausência...e que me é permitido apenas sentir a tua falta quando você se vai. Mal tenho coragem de te dizer o que penso, o que eu quero, o que mais desejo.
Talvez se estivesse aqui eu poderia te dar um abraço bem forte e dizer o que agora não consigo. Me sinto boba, meio sem sentido, como se tivesse cócegas na ponta do nariz o tempo todo! Mas mal posso saber o que faz nesse momento. Mal sei que roupa veste enquanto lê minhas palavras, mal sei sua reação, o brilho do monitor refletido em seus olhos. Mal sei a rapidez com que tenta decifrar meus pensamentos tão tolos.
Imagino você aqui e detesto prever tua partida, prefiro me satisfazer com a sua chegada em meus pensamentos, e mal quero que meus olhos se abram, pois sei que vai embora sempre que isso acontece.
Te ter em meus pensamentos é bom, muito bom...mas eu queria mais...queria entender o que há em meu coração e porque é tão difícil te dizer um simples tchau. Parece que parte de mim se vai...
O que está havendo??? Jurei que esse ano eu não ia chorar, mas já não me entendo! Como posso sentir falta do que não tenho, do que nunca tive...mas é como se já fizesse parte da minha vida desde sempre. É como se não precisasse de palavras pra saber o que está acontecendo. Eu tenho medo.
Medo de que na minha ausência, na sua ausência, ocupem esse espaço que há entre nós. Tenho medo de que eu precise me reerguer novamente em nome de algo que nem começou. Medo de não saber como seguraria minhas mãos, medo de não saber qual é o calor da sua pele, medo de...não te sentir perto de mim. E, fico pensando em todos os lugares que não passamos, todas as pessoas que ainda não conhecemos, todos os planos que agora, pra mim, ficaram tão pequenos!
Meu gurizinho, a vida não para...
Quem me dera poder te trazer dos meus pensamentos e acalmar essa dor que eu ainda não entendo. Não sei que tipo de sensação é essa. É como se alguém estivesse apertando meu coração bem forte e não quisesse mais soltar.
Não sei se há o que fazer, pode ser que com o tempo você perceba que tudo foi engano e eu perceba que estavas certo em não querer prolongar isso. Eu só sei que você me faz bem, e que eu queria muito, muito mesmo, que estivesse aqui para secar essas lágrimas bobas que caem de meus olhos sem minha permissão! Queria saber qual sabor do seu café e como prepara as saladas. Queria passar a mão em teus cabelos, fazer cafuné...
Ainda não posso entender tudo isso, e nem quero. Sou apenas uma guria que cresceu e não esqueceu dos sentimentos...vivo intensamente eles e sofro por isso. Sofro por não saber dosar a saudade, o medo, e esse friozinho sempre que vejo que se aproxima a hora de nos falarmos!
Parece loucura não?? Sei que parece. Mas isso está me fazendo bem. Fico feliz por saber que alguém , mesmo que muito longe, esteja pensando um pouco em mim, e que por algum instante tenha procurado saber que tipo de comida eu gosto ou se sei cozinhar. É essa sutil presença durante o meu dia que faz com que os minutos tenham sentido...e as horas passam leves, e eu só quero que o outro dia chegue pra que eu possa te ver de novo, saber de você, se sente frio, se já tomou banho, com quem falou, em quê pensou, com quantas pessoas fala durante o tempo que usa a internet, o que faz depois que deixamos de nos falar, o que mais gosta...se nesse meio tempo restou espaço pra tentar saber o que eu penso de você. E ...o que eu penso? Nossa...acho que eu ficaria muda na sua frente, iria apenas te olhar, te perceber, sorrir...não sei se as palavras sairiam, não sei se eu teria coragem de me aproximar.
Até pouco tempo minha falta de amor próprio me destruía, mas você apareceu, sem data marcada, sem nada..apenas apareceu e isso me deixou mais forte. Já posso me olhar no espelho e ver a pessoa que me tornei. Já posso ver as estrelas e imaginar que você um dia me disse que da explosão de planetas elas nascem. Já posso dizer que temos uma música e que a amo e que estás em meus pensamentos de maneira intensa sempre que ela toca. E eu a deixou repetir por horas e mal canso da sua seqüência. Poderia ouvi-la o dia todo, durante o ano todo, durante toda a sua ausência e mesmo depois da sua chegada!
Acho que esse espaço que inventaram entre as pessoas serve apenas para testar o quanto elas se gostam, e para provar que tudo é possível.
Me perdoe por estar dizendo isso, mas eu sentia que era necessário...
Fica bem meu anjinho, essa noite te espero pra me fazer dormir...
Queria que soubesse que sinto a tua falta, fica bem viu??? Estarei sempre aqui.
Bjus da Amanda
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Quinta-feira, Dezembro 08, 2005
escrevi faz um tempo....mas nunca havia postado. Aí está!
esse texto se reflete em muitas coisas que passo agora!
Protesto
Isso é um protesto basicamente feminista e não baseado em época alguma, senão essa mesma.
Digo isso a uma pessoa que sabe muito bem que precisa ler isso.
Somos almas perambulando por esse mundo, um dos piores mundos pra se viver. Cala essa tua boca quando inventar de falar algo que machuque alguém. Não acreditas mais no amor?Pois bem, te digo que também não.
Seria mais fácil esquecer os dias e as noites do que acreditar novamente no amor não é mesmo??? Porque não há mais poesia, nem o consentimento de sonhos em nosso coração, nem aquele pensamento vago e assustador nas noites em que nos afogamos na solidão do nosso quarto. Não há basicamente mais palavra alguma que possa desmistificar qualquer sentimento que tenhamos.
EU:
As janelas simplesmente se fecharam e nem os anjos podem bater suas asas perto de mim.
Meus suspiros são constantes e por mais que eu pense que logo adiante há uma vida linda me esperando, penso que não a mereço, porque sou fraca, pequena, simples, sou eu.
Não sou mercadoria que anda em supermercado, em prateleiras de ferro e deformadas pelo calor e maresia, não sou um frasco de perfume importado, nem a essência das dores.
Não sou a cor, nem a morte, nem a sorte.
Quem me dera fazer você entender que além desse jardim seco, sem flores, há um lago em que você pode se banhar. Os oásis existem. Não queira apenas sentir o calor do sol e reclamar de sede.
Somos desabitados de nós mesmos e flagelamos nossos sorrisos, querendo reprimir a saudade que sentimos do beijo, a saudade que sentimos das mãos. Os pedaços que se encaixaram aos poucos sem que pudéssemos ou precisássemos dizer mais nada!
Perdeu o sentido?Recupere , junto com seu fôlego de menino de dezoito anos e dois meses, que não quer nada mais do que colo, para reaver seus vinte e tantos anos e se deliciar pela nova vida.
Não tenha só pesadelos. São fases, como muitas outras. Perdemos, ganhamos, sofremos, rimos, desesperamos, xingamos, batemos...ironizamos, construímos, negamos, mas sempre nos reerguemos e sabe por que?
Porque nos amamos mais que qualquer outro ser. Pode ser egoísmo, altruísmo, egocentrismo.
Quero rir com você, quero que o sereno me faça perder a voz de novo, quero um beijo roubado, quero a chance de escolher o edredom que vai me cobrir nas noites frias.
Quero beijos com gosto de pão de queijo, bala de chocolate, na chuva (nunca fiz isso). Quero fazer cafuné até seus olhos tão pesados e cansados, baterem em sua pele tão sensível e linda, até que adormeça ao meu lado apenas uma vez.
Mas se você insiste em não querer ver mais nada além dessa nuvem de poeira é uma pena, pois está deixando de viver tantas coisas que eu também queria viver.
Não falo de ter alguém pra dar presente no dia dos namorados, falo de alguém pra ''rir o meu riso, chorar o meu pranto''. Falo da presença consentida, dos dias de loucura na escada do prédio. Das estrelas entrando em seus olhos na noite mais desesperadora da minha vida. Falo do poema que não recitou, da música que não temos, falo dos beijos que ainda virão, dos medos que teremos, das pessoas que ainda conheceremos, das palavras que ainda calaremos, porque não somos perfeitos.
Como bem disse, somos faíscas.
Não nego os defeitos, nem a teimosia, mas não sou fútil, nem carrego acessórios chatos e irritantes que provém de alguma outra relação. Te proponho vida nova, banho de cachoeira, chegar depois das seis. Não tenha medo de quebrar paradigmas, nem de sussurrar meu nome no escuro. Quero sentir sua respiração e saber que estás com o corpo e mente aqui e que nada vai fazer você mudar de idéia. Quero saber que posso acreditar novamente no amor, mas para que isso aconteça, não depende apenas de mim. Não depende apenas de você.
''Se fosse fácil achar o caminho das pedras, tantas pedras no caminho não seria ruim''.
Hoje é apenas uma segunda-feira do final do mês e não há nada de muito importante nesse dia. Mas alguns gestos me deixaram feliz, você está reaparecendo pras pessoas e o que escreveu me fez ter fé.
Não quero confiscar teus pensamentos, nem digitar grosserias, não quero mais brigar sobre algo machista e proveniente de dores pós- fim de alguma relação. Quero que saiba que amo cinema e pipoca, e não me importo se assisto filmes de ação ou comédia romântica. Não me importo se o filme é velho, é novo, se seu time perdeu, se o meu está na série B. Quero estar com você. Estranha essa forma de demonstrar as possibilidades da vida não acha?
Faço isso em nome da nossa amizade e te proponho alternativas. Troque a personagem, vista outras roupas, mude a época, mas deixe cair essa sua armadura de cavaleiro da era medieval.
Tenha seus castelos, mas abra os portões!
Tenha sonhos, brinque de esconder, empreste seu ombro, se acolha nos braços dos seus amigos, se refugie da sua tristeza sem que isso interfira na sua vida.
Seja grande, seja Davi.
Vença suas batalhas internas. Destrua esse terrorista que está em seu coração. Mande comprar balas (de calibre 38) atire ele contra todas as paredes e o jogue do penhasco. Cave suas dores na terra, derrame suas lágrimas numa garrafa de vinho e jogue ao mar.
Mande seus medos pastarem. Manda eles se enterrarem na areia movediça.
Seja rei, seja filho, seja namorado, seja homem, menino, seja bruxo, meio mago...
Não deixe as desavenças do mundo interpelarem a pessoa linda que está em você. E nem falo de seus encantadores olhos castanhos, nem do seu sorriso de moleque.
Falo do sentido que tem seu beijo, falo da sua saliva quente, maravilhosa, seus lábios tão significativos.
Falo das festas que sempre quis te beijar, falo do meu porre desnecessário quando me vi sem saída.
Falo das palavras que sempre quis dizer, mas que foram esquecidas devido alguma outra besteira.
Queria que percebesse que ao seu lado existe alguém.
Se puderes fazer isso, quem sabe eu acredite novamente no amor. Na quero promessas, nem sorrisos disfarçados.
Não precisas dizer nada, apenas leia.
Isso aqui está longe de acabar e se você chegou até aqui espero que ainda tenha muito fôlego e que seus olhos não estejam embaçados como outro dia.
A vida é assim. Estranha, irmã de nossos desejos.
Tão estranha e simples. Divina, charmosa e se debruça sobre nós. Os anjos estavam lá. Até a música parou (literalmente). Mas você estava ali e isso me ajudou a entender algumas coisas.
Nesse momento escuto engenheiros e estou comendo amanteigados de leite. A novela das sete que começa sete e meia já está passando na TV. Nossa, esse inverno está tão estranho.
Falta alguém para abraçar. E ''pago meus pecados por ter acreditado que só se vive uma vez''.
Tão fácil sentir isso que estou sentindo. Meus dedos deslizam sobre esse teclado e esqueço de tudo que acontece lá fora. Caem os postes, acabam as luzes, pedestres carregam sacolas de supermercado. Capitalistas invadem a pista na contramão numa pressa desnecessária e inigualável. Grande sociedade rio-sulense. Que abranda suas fagulhas de egoísmo na masmorra das cifras, cartões de crédito, de débito, não passam de números e fotos nos jornais. São ridículos os discursos e as fantasias que eles tem ainda mais.
São patéticos.Esquecem que são vazios e que dentro do seu porta malas eles deveriam estar. Ainda não foram apresentados a vida real. Ainda não viram o pôr do sol do lugar mais lindo da cidade. Não desceram o morro numa canoa de coqueiro. Nem derramaram sorvete na calça limpa. Esqueceram de ser normais.
Que se dane o ócio, os políticos, os Robertos Jefersons, Lulas e camarões.
Ninguém sabe como é o país e o mundo em que vivemos. Pois pra todos nós falta amor. Faltam loucuras, faltam pegadas na areia, falta ouvir mais o murmúrio do mar.
Preciso ver as ondas...preciso andar descalço.
Preciso pular as cercas do sítio, nadar no rio, sentir as pedras gosmentas e me agarrar nos galhos das árvores, andar de trator, esquecer essa droga de pudor. E depois de mais um dia, saber que você também precisa de mim.
Queria saber qual seria a minha poesia...queria ouvir sua voz de novo.
''De tudo ao meu amor serei atento antes...menininha do meu coração, fique pequenininha na minha canção, molequinha levada, batendo palminha, fugindo assustada, do bicho- papão...'' Seja mais Vinícius que ''morais''.
Não queira saber os porquês de tudo...viva...beije , ame, role na grama e descubra desenhos com seu lápis de cera.
A vida não é só um risco, é um desenho cego!
Se nesse momento protesto, é porque percebi em você uma falta de amor absurda, mas o mais engraçado é que te compreendo.
Achas que é forte e que atingindo outros (as) com palavras vai se safar dessa dor.
Não se engane meu caro.
Tudo é mais além desse arco-íris em preto e branco.
Abrande suas palavras e queira ser amado, queira ter amor, queira fugir da cidade, passear no shopping de Blumenau. Queira Mcdonalds ao menos uma vez por mês.
Cante músicas dos Beatles, Nirvana. Assista desenhos animados, veja Aladin, Carruagem de Fogo, A família dinossauro..Tio Patinhas e os Flinstons. Tome mais guaraná que coca-cola, seja mais humano que agora.
Troque de canal, desista de ver o comercial. Se afaste dessas malditas etiquetas, dos malditos números do banco, dos quilômetros feitos na cidade.
Se perceba em frente ao espelho. Seja mais homem, mas com a vida de menino (sem tantas dores e preocupações). Apenas feche seus olhos e deixe eu segurar sua mão e te levar por um novo caminho. Me deixa te guiar. Verá que além desse mundo escuro, cheio de sombras, existe uma luz.
Nem tudo está perdido, basta querer se encontrar.
Seja meu menino...deixe-me sentir sua falta, sentir teu cheiro, sua pele...seu cabelo bagunçado depois do beijo.
Quero ver sua carinha de sono de manhã...
Sei que isso é loucura, mas estou fazendo a minha parte.
Não tenha dó, nem piedade, apenas finja que leu tudo e delete isso da sua massa cinzenta.
Não absorva meus ridículos protestos em nome de uma chance.
Não dissolva essa minha amargura em sua solução de sarcasmo e pimenta.
Apenas fracione e deguste as partes mais decentes para seu espírito.
Somos poesia...
Somos sentimento...e muito mais que isso...
Queria poder te deletar do meu pensamento.
Mas não colocaram essa tecla à disposição, me vejo apenas entre o enter e o mais.
Não falo mais...prometo.Dentre as coisas que quis dizer até aqui era que, ''entendo você, se você quiser ir embora, não vai ser a primeira vez, nas últimas 24 hs''.
Sou apenas uma faísca, mas toda faísca pode causar um incêndio e isso pode ocasionar algumas perdas, como por exemplo: lembranças ruins, medos do passado.
Bem, já dei o meu recado...meus dedos já estão gelados...
Não sei o que vai acontecer, nem quero saber disso agora...espero apenas que a vida siga seu ritmo e que o destino não seja apenas coisa de novela ou de filmes água com açúcar. Estou cansada de ver a programação da tv sozinha.
Boa noite!
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Segunda-feira, Outubro 24, 2005
NÃO
Depois de despentear os cabelos
Numa atitude quase inútil de me entender
Disparo pela casa
Procurando não saber
Não saber o que você pensa
Não saber por onde você anda
Sequer saber da sua inútil vingança
Não quero pena...
Enquanto lembras do que passou
Enquanto desejas não me desejar
Eu sinto, eu vejo em teus olhos
Esse medo bobo de amar
Ama apenas teus esquisitos defeitos
Não reparas que ao teu lado
E ao lado dessas cartas amareladas
As lâmpadas já se apagaram...
Desespera-te o fato de saber
Que por mais que me queiras
Não posso te querer
Isso é a minha vida, tente entender
Eu quero a doce e livre poesia
De namorados que poderíamos ser
Mas nos afastam desse desejo
Desejo que não posso mais ter
Está vazio agora
Essa incerteza que destrói
Sinto medo, sinto frio
E antes eu chorei
Chorei porque nada dá certo
Porque o medo me impede também
Porque me sinto só mais um dia
E passa mais um dia e aqui estou eu sem você
Desejei a nostalgia
E o vento que toca meu rosto
Apenas sei que daqui pra frente
Nada mais depende de mim
Espero apenas sua vontade
Uma pequena decisão
Enquanto tento me entender
Espero apenas que você...
NÃO ME DIGA MAIS NÃO
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Terça-feira, Outubro 18, 2005
...
A individualidade da vida me comove ...e permaneço nessa insensatez das horas...divago pelos minutos que me perseguem...
Não adianta correr , olhar para os lados e pular esses muros alí na frente. Me torno esse vazio que faz nessa sala fria,me torno a pior pessoa que eu consigo ser e não vejo meus pés. Meus olhos estão tristes, porque tenho certeza que o que mais mata é a morte...dos sonhos, dos desejos, das palavras que se vão sempre que meus lábios não se tocam...
É essa incerteza do tempo que tenho disponível que me assusta...é essa falta de planos concretos que me aterroriza...é esse medo de ter coragem que me transforma todos os dias. É a falta da certeza dos sonhos que mais me faz ficar aqui....pensando se o que eu faço vale a pena...todos os dias...
É estranho, mas a vida acontece sem que eu me dê conta da sua amplitude ao longo dos acontecimentos...eu permaneço na minha rotina, no meu horário de verão e meus olhos...ah meus olhos, vêem mais que eu gostaria que eles vissem.
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Quinta-feira, Outubro 06, 2005
Minhas reticências
Não!!! não....não se arrependa por ter deixado a porta do carro semi aberta..nem de ter interrompido minhas palavras tristes ao me dar às costas...isso te faz pensar que não precisas mais olhar pra trás e que todos as promessas feitas um dia, simplesmente cabem nesse vazio que sinto agora. Não penses que podes apagar essa minha dor apenas pelo fato de não voltar mais na minha casa ou pelo fato de não pronunciar mais meu nome...
Não penses que os dias ficarão mais fáceis, mais sóbrios, menos revoltantes...A culpa está em não saber o que fazer com essas horas...tristes minutos tremulando em meu relógio. Não adules a música que entra com o cheiro de rosquinhas da padaria da esquina...
Não esqueças de me esquecer agora, se porventura ainda não o tiveres feito. As minhas lembranças permanecem na dúvida se devo te amar como sinto que amo, toda vez que encontro suas ridículas manias presentes no meu dia-a-dia.
Não se lembre dos natais...sequer dos dias em que eu sentia que eras meu mundo, meu porto seguro, meu patético cais...apaga da tua mente todas as horas de bebedeira...os dias de solteira é o que desejo mais...
Nem cante nossa música no chuveiro...se perca pelo mês que passa inteiro, é só uma vida nada mais!
Meus sonhos eram muito grandes pra tanta razão...e quando percebi...já não me restava o chão...só o caos...cacos de vidros...poeira e jornais! Era o lixo da suas mentiras , lágrimas, resígnios e ...medo.
Quando sentir que vai sair desse carro então....não se sinta culpado...deixarás de ser meu, parte de meus planos, meu mundinho colorido...engraçado como a segurança que me passava se foi....partiu...e me senti forte, porque duvidavas de mim.
Não temos mais nossas mãos unidas...nem abraços no portão, café com leite e finais de semana na praia...mas sabe?adquiri uma coisa muito valiosa: meu amor próprio, minha vida, minha verdade e descobri que isso me basta.
Eu tomo chá.....tomo cerveja, tomo caipira de bacardi...sinto meus pés cansados...e amo minha liberdade....amo saber que posso chegar em casa quando quiser...amo saber que sua vida não está mais na minha sequer nos dias mais tristes!
Amo saber que sou mais eu e que não importa quantas vezes eu fiquei sozinha em meu quarto...sei que não voltas e esse fato me mantém feliz.
Ser feliz não é conveniência...amar não é obrigação...apenas faz parte da felicidade!!!Que agora eu posso dizer que tenho!!!!!!
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Quinta-feira, Setembro 15, 2005
Cidade Maravilhosa?
A novela das oito me enganou.
-Tia quero dólar, quero grana, você é gringa pode mais que eu.
-Moça! me dá um real, pra comprar pão.
Hei, oww, você aí...
Essas falas não saem da minha cabeça.Esse é o Rio de Janeiro, de Setembro e Natais,
Rio de festa, de passista, de samba de quero mais; Rio de Copacabana, Leblon e Ipanema,
Mas também Rio do descaso, de medo e violência.
Não me contaram que ao dar às costas pro mar em Copacabana eu veria as favelas dependuradas pelos morros. Não me avisaram que as pessoas viviam em meios aos porcos, com restos de comida e lixos pelas calçadas. Que muitos não têm casa no centro da cidade e abrigam-se nas marquises das lojas.
Não me contaram que do outro lado do Túnel Rebouças, partindo da Zona Sul, eu encontraria e miséria, o descaso, prédios pichados, sujos, destruídos. Percebi que a grandiosa ¿Cidade Maravilhosa¿ é apenas uma criação de uma emissora de TV. Sim, eu percebi, eu vi, ninguém me contou.
Vi a Universidade Estadual que mal possui banheiros em condições mínimas de higiene, táxis que exploram os turistas (e muitos mal sabem pra onde querem ir).
Quanta contradição em um só lugar!!!
Vi o Maracanã, fotos dos jogadores que fizeram história, vi o Cristo, Pão de Açúcar, lugares belíssimos! No entanto, continuava a imaginar que perspectiva tinha uma pessoa que mora num desses morros? Claro, ainda existem pessoas boas lá, mas que por falta de oportunidades ou de informação, acabam caindo nas garras do crime organizado, violência armada etc, até por "parecer" um meio mais fácil de sobrevivência.
Senti que os governantes haviam virado às costas imaginando que isso não teria mais solução.Talvez se a polícia não fosse o pior bandido, as coisas mudassem não?
Coloquei-me no lugar daquelas pessoas, que expectativa elas têm diante da vida que lhes é oferecida? Quantos não padecem, morrem, sofrem, até que apareça alguém pra fazer a diferença no futebol ou no meio cultural e artístico?
Sei que essa questão não é exclusiva do RJ, apenas imaginei que o Rio, a "cidade maravilhosa" que eu via pela novela das oito, fosse mais maravilhosa.
Amanda Maria de Freitas
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Segunda-feira, Agosto 29, 2005
Morte
É como se a morte tivesse olhos bem grandes, de cristal. Como se o medo que temos dela nos aproximasse de algo desconhecido mas ao mesmo tempo tão constante.
A morte é tão certa como a vida. É tão simples como fechar os olhos e deixar de aquecer a cama com o calor do corpo.
A morte pode ser um sopro...de vento, de medo, saudade.
A inconstância dos dias sugere aflições e previsões pouco sustentáveis sobre a vida.
Uns jogam seus destinos em cartas de tarô, outros se decepcionam com jogos, outros se atropelam pelas filas de bancos, de mercados, na fila da pipoca no cinema. Os relógios passam os minutos e segundos numa pressa inigualável e quando vemos, chega a nossa hora.
A hora de partir , de deixar pra trás coisas terrenas, pequenas, superfiais, mas ao mesmo tempo, deixamos dias, pessoas, amores, infinitas saudades.
Saudade do vento batendo no rosto, das pedras quebrando as ondas, do sorriso de nossa mãe de manhã. Do cachorro quente na casa da vizinha.
A morte nos tira projetos, pessoas, planos, desejos, vontades.
Ela poderia ser comparada com a distância (quando você sabe que nunca mais vai ver a pessoa).
A morte machuca, dói, literalmente.
Ela é inesgotável em todo planeta e carrega cada vez mais nossos amigos, parentes, conhecidos...e quantos estranhos!
Enquanto a vida pretende dar seu espetáculo criando milagres , restos de vidas se espreitam pelos becos, pelos morros, pelos ruas, hospitais...a vida some cada vez mais.
Não se pode estar vivo sem saber que se está pra morrer. Pode ser hoje, daqui a pouco, amanhã ou depois, isso eu não sei. Apenas sinto que o tempo se esvai a cada amanhecer e que aproveitar as oportunidades e seguir o coração é uma boa saída pra nunca se arrepender de nada.
Escute várias vezes a música que gosta, beije quem você tem vontade, faça festa até amanhecer. Diga a quem você ama o quanto ela é importante em sua vida e como ela faz falta.
Diz que sente falta do seu sorriso maroto, de seus olhos brilhando, frio na barriga de saudade!
Diz que se ela não estiver mais ali sua vida perde o sentido...diz que ela que faz o sentido...
Diga tudo que tem vontade, viaje, tire seus pés do chão, fale palavrão, escreva poemas, arranque flores, plante uma árvore, grite mais alto. Esqueça pelo menos uma vez ao dia alguma convenção e siga o que manda essa sua voz aí dentro de você,
Olhe pra dentro de si, sinta-se vivo, sua respiração, seus medos, seu orgulho, suas verdades.
Sinta medo...medo de não querer estar vivo e desfrutar de todas as maravilhas do mundo.
Duvide da ciência e acredite em você sempre que disserem que não é capaz.
Seja feliz e faça alguém feliz. Se levar a vida como ela tem que ser, nem sentirá medo de se perder, de perder...de morrer.
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Quarta-feira, Junho 29, 2005
Então, é isso!!!
O que me proponho a falar sobre o amor,não vai além dos muitos parâmetros que conhecemos, vai além de muitas coisas que pensamos e desejamos.
Por que hoje em dia nos sentimos tão sozinhos? Acreditamos que nossas dores estão relacionadas às coisas que fazemos e erramos, mas descobri que nossas dores vem de coisas que não tentamos.
Eu erro todo os dias e quanto mais eu penso que aprendi, menos sei.
O quarto permanece vazio e não importa quantas pessoas eu tenha em meu messenger, não importa quantas palavras longínquas sejam ditas, a solidão que sinto, é da presença intercalada entre o serviço e a faculdade. É a presença no fim da noite de quarta-feira, nas manhãs de sábado, de dormir abraçadinho, tomar chocolate quente. Não me diga que não sente falta disso. Sente sim.
Vivemos em busca de algo perfeito, que nunca nos magoe, que supra todas nossas míseras expectativas, que nos diga que estamos linda mesmo quando vestimos moletom e tênis. Coisas simples, mas que fazem toda a diferença no dia a dia.
Quanto mais eu conheço as pessoas, mais eu me convenço que isso está longe de acontecer. Olho para os lados e o que vejo são seres cada vez mais infelizes, denunciando uma falta de amor tremenda e enganado a si mesmos, em busca de algo patético e cheio de privilégios e vejo que não somos aquilo que sentimos e sim aquilo que temos e o que podemos comprar.
Aí disparamos em busca dessa ilusão que é o poder e quanto mais subimos, mais queremos e menos damos importância às pequenas coisas. Nos tornamos ridículos e patéticos.
Tenho medo de passar minha vida sempre em busca de alguém. Tenho medo de não ser compreendida e de ter que passar os próximos natais olhando da sacada do prédio, apenas imaginando que em alguma parte do mundo, quem sabe, existe alguém que pensa como eu e que desejaria me encontrar em uma dessas tantas curvas que a vida nos põe à mostra.
Tudo se tornou uma procura pelo óbvio, pelas coleções de beijos. Eu quero abraços, pão de queijo, sorrisos, beijos na ponta do nariz, quero carinho e cafuné, quero saudade e paixão. Momentos que tenham razão para se repetir e motivo para acontecer mais uma vez. Não quero me sentir objeto, não quero ter que ficar esperando o telefone tocar, numa busca quase que incessante por ser lembrada.
Quero a presença, olho no olho, filme e pipoca.
Quero andar à cavalo, banho de rio, rolar na grama, sem medo de que tenha formigas ou ninhos por perto.
Quero descobrir estrelas e constelações. Nuvens e suas confusões.
Eu tento encontrar isso. A simples companhia que completa o dia, que completa os finais de semana, que preencha o vazio nas festas, que sonhe com a mesma intensidade e que ame com o mesmo interesse, apenas ser feliz...
Não discordo que é preciso estar sempre em busca de alguém que nos entenda melhor, só que também sei que nessa busca desapropriada e agoniada por alguém sempre melhor (o que nunca existe) acabamos deixando de lado pessoas maravilhosas, que só precisam ser descobertas.
Para me entender é fácil e para me conquistar também, basta ser sincero e lembrar de vez em quando e , quando sentir saudade ou quando eu invadir sem querer os pensamentos, basta dizer um oi, tudo bem?
É isso que eu digo, queria ser lembrada, ao menos um dia, sem ter que fazer cobranças dissimuladas e infantis.
O que quero é algo que se completa sem precisar dizer sequer uma palavra.
¿Minha vida é sempre uma procura.¿ E se por acaso não for para ser feliz nessa vida, posso dizer que ao menos eu tentei.. ¿eu me sinto um estrangeiro, passageiro de algum trem ... ¿
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Quinta-feira, Junho 23, 2005
CASTRAÇÃO DO BOLSO GERA REVOLTA INTERNA
Ao mesmo tempo em que o Brasil sofre com o cenário político, denúncias, fraudes e subornos, percebemos que a situação financeira do país também está mal das pernas. Os preços sobem absurdamente e o que ouvimos sempre na tv é que a inflação está baixa e que o país não está em crise. Será que conseguimos ser estáveis pelo menos uma vez?
Escuto que as exportações estão crescendo mês após mês, mas nunca vejo o crescimento na economia, só escuto empresários dizendo que não estão suportando pagar os mais de 70 impostos todos os meses. Importamos trigo da Argentina, souvenirs da China e produtos com valores agregados dos Estados Unidos, sendo que nós mandamos matéria prima a preço de banana para eles. Aí fica fácil perceber porque alguns países têm uma taxa de juros tão baixa e a do Brasil, meu Brasil brasileiro está acima de 19% ao ano. Isso se não subir de novo, porque parece que sempre que meu adorado Presidente da República decide fazer uma de suas viagens , a taxa selic aumenta. E ainda sou obrigada a ouvir um desabafo ordinário do seu Lula, dizendo que preciso tirar a bunda da cadeira, que sou acomodada! E ele ainda diz que a culpa é minha , é sua, é nossa, que a taxa de juros está tão alta, sendo que quem tem aval para regular isso é o governo.
Fazemos parte de um sistema econômico capitalista e isso devora cerca de metade do nosso salário todo mês, pagamos juros, taxas, multas de quase tudo que consumimos. Chegamos a pagar dívidas que nem fizemos, que é o caso da energia elétrica na época do apagão. Ainda pagamos pelo prejuízo que a distribuidora de energia teve, é só olhar seu talão de luz e perceber a quanto tempo você já paga isso sem saber.
Enquanto os pobres mortais se conformam com um salário de miséria, que hoje está em R$ 300,00 percebo que apenas cinco mil famílias do Brasil detêm o poder econômico. Restam então milhões de pobres e miseráveis. A situação é mais crítica que parece. E realmente o individualismo é a base do capitalismo, vejamos porque.
Se apenas cinco mil famílias possuem a maior riqueza do País, o que resta aos outros milhões? Serem chamados de miseráveis, pobres e coitadinhos. Mas isso nem chega a incomodar e elite, a menos que as eleições estejam chegando! É nessa época que percebemos como os ''coitadinhos'' são importantes, porque são a maioria na hora de votar. E é fácil enganá-los, é só fazer promessas, pois faltam profissionais na saúde, nas escolas, falta saneamento básico, ensino de qualidade, condições até para sobreviver. Eles prometem isso todos os anos e se elegem.
Já não creio mais em igualdade, nem que fosse implantado o socialismo. Chegamos a um ponto que não é mais possível comprar o que queremos, apenas o que nos falta e que nos será mais útil entre todas as coisas mais úteis. Vejo os milhões de desempregados, pessoas morrendo em filas de INSS e de postos de saúde. Somos tratados como animais por esse governo capitalista e sem moral.
Não agüento mais ter que pagar juros. Não suporto mais o fato de nunca ter dinheiro final do mês, não suporto mais saber que quem tem dinheiro faz dinheiro.
Enquanto escuto que preciso guardar no mínimo dez por cento do meu salário todo mês, me pergunto: se eu fizer isso, o que vou comer?
Sim, porque estou vivendo à base de macarrão instantâneo, mas nem posso reclamar, as indústrias alimentícias investem bastante na variedade dos temperos.
É meu Brasil brasileiro, quem inventou a frase que ''somos brasileiros e não desistimos nunca'', acho que não precisa contar seu dinheiro no final do mês e não precisa participar do milagre econômico diário.
Nosso país possui dimensões territoriais em grandes proporções, e talvez por isso falte a maioria conhecimento sobre os diferentes Brasis como diria Darcy Ribeiro. Cada vez que olho para meu prato, perdoem-me o sarcasmo, conto quantos fios do macarrão são de juros, e quantos pertecem à empresa que o produziu e claro, quantos restam para que eu possa saborear meu delicioso ¿miojo¿sem culpa. Isso se o governo não descobrir através de alguma teoria da conspiração que esse é o prato que mais consumo, e queira tirar ele de circulação por um tempo para que o preço dele aumente mais uma vez. É ''toda oferta gera sua própria demanda''.
E se isso servisse no campo do emprego estaríamos todos felizes, pois queremos trabalhar e falta emprego. Somos miseráveis mesmo, não temos condições de viajar final do ano, mal conhecemos nossa região, mal usamos o telefone e nos empurram celular em dez vezes sem juros (sério?). Usamos dez reais de crédito a cada três meses, senão ainda corremos o risco de perder o número!
Dá vontade de fugir, antes que a taxa selic me enforque a próxima vez que eu colocar meus pés na rua. Antes que eu precise comprar meu próximo pacotinho de macarrão. Sou uma pessoa rica em carboidratos, e devo tudo isso aos preços absurdos dos alimentos.
Enquanto espero por soluções rápidas do meu amado presidente, minhas cáries fazem a festa na minha boca, afinal, posso ser pobre, mas ajudo ao próximo. Fome nunca. Fome Zero.
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Quinta-feira, Junho 09, 2005
A ROTA
Pretendia eu, desmistificar todas as sombras,
Todos os conjuntos de auroras boreais,
Esquecer que dentre os mansos conceitos
Vivemos em guerra, nada mais.
Quem me dera ver as noites frias,
Da janela do quarto seu,
Mas me arrasto na certeza,
De que a vida agora me despreza
Me jogando contra a terra e ...
...tirando vidas e sonhos meus.
Pretendia eu, arraigar-me pelos ventos,
Deslizar pelos meus frágeis planos,
Mas o medo me apavora,
Ele está aqui e agora.
Eu vejo o céu, vejo as estrelas,
E por um suave minuto de piedade,
Pude entender que na verdade,
Só vivo para morrer.
Enquanto luto bravamente, pessoas estão à minha frente,
Destruindo o meu querer.
Pretendia ser mais que um escoteiro,
Mais que o mês que passa inteiro,
Mais que a brisa que te enche de suspiros,
Mas eu sou apenas um momento.
Fecho os olhos, sou pequeno,
E a incerteza da saudade dói.
Me tranco no desespero,
Que a vida perdeu seu tempero,
Voltam os dias e os janeiros,
É só uma guerra e nada mais.
Pretendia sua presença,
Enquanto escrevo meus boêmios pensamentos.
Eles são assim, sinceros, verdadeiros,
Eles falam de mim,
quando já não suporto mais o peso das botas,
nem das armas, nem as bombas,
Eu mudo a minha rota.
Chorar lhe fará bem,
Faça assim , pegue aquele trem e siga,
Apenas siga feliz ...isso foi o que eu sempre quis.
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Quinta-feira, Junho 02, 2005
EU VEJO VOCÊ!!!
Não bastava jogar pedrinhas no lago, ele tinha que caçar borboletas e aqueles bichinhos gosmentos que ficam embaixo de troncos úmidos. Isso é sua companhia, seus bichinhos se mexendo dentro de um saco plástico até a asfixia.
Mas ele não se importa, sacode seu saquinho para fazer um balanço de quanto junta todas as manhãs. Sua ferida no joelho? Nem incomoda. Seu cabelo sacode com o vento e ele quase se esborracha no chão com seu skate.
Ele é feliz. Tem bolinhas de gude, homens de borracha e pipas. Tem videogame do homem aranha e a capa do super homem. É fã do bob esponja e do pateta e não gosta de comer cereal pela manhã.
Sai sempre para suas aventuras ao redor do lago da praça, aquele que a prefeitura abandonou na administração passada. Ele sobe em árvores e faz espionagens. Pega seus insetos e forma um verdadeiro exército. Tem cavalo que é representado pela formiga e os soldados que são aqueles gosmentinhos que ficam embaixo de troncos.
Usa sempre o mesmo tênis, rasgado na lateral e com uma tachinha embaixo. A cor é azul, ele acredita que meninos devem usar sempre essa cor.
Vê o pôr do sol através de uma fresta que fica na parede da sala. Gosta de picolé, nega- maluca e maçã do amor. Se anima quando chega a festa de São João. Vai ao cinema da escola, coleciona figurinhas dos ¿Incríveis¿ e acredita que quando ele crescer vai ser astronauta.
Ele tem uma nave! sim!
Ele coleciona seus sonhos em uma gaveta de madeira que fica no rancho atrás de sua casa. E as suas pipas arranham o céu quando o vento chega arrasando tudo.
Menino da cidade, que vê a vida inocentemente. Brinca de amarelinha na pracinha. Joga pedrinhas no lago e coleciona um exército de insetos.
Poderia ser biólogo e não astronauta. Mas ele quer voar, ver o nosso planeta de longe, ele quer fazer parte de uma grande organização e enfrentar alienígenas pelo espaço. Desviar de buracos negros e sair da via Láctea!
Quantos planos cabem nessa cabecinha!!!
Não conhece computador, nem e-mails, nem messengers, nem orkut, sequer baixa músicas.
Conhece como ninguém as histórias do tio patinhas, desenhos dos flinstons e adora suco de uva.
Seu sorriso encanta, apesar de lhe faltarem alguns dentes. Ele está naquela fase em que os dentes de leite começam a dar espaço para os que chamamos de permanente.
Sua escola fica há três quadras da pracinha. Ele é daqueles alunos dedicados, que encapa os cadernos e coloca etiquetas para identificar as matérias.
Não tem pai, pois ele fugiu dessa responsabilidade logo que sua mãe estava grávida de dois meses. Menino valente! Não chora por qualquer coisa, não pergunta mais pelo pai, certa vez na escola, na hora da apresentação, a professora sugeriu que cada aluno falasse o que seu pai e sua mãe faziam. Ele ficou cabisbaixo e com os olhos rasos d¿água disse: - minha mãe faz tudo, ela limpa a casa, ela cuida de mim, trata o gato, lava calçada, leva o lixo, paga contas, faz compras e trabalha fora. E meu pai, o que posso falar de alguém que não conheço? Só sei que ele não está aqui para saber o que ele faz, sei que ele nos abandonou.
Ninguém pode imaginar o que passa nessa cabecinha. Não se pode entender qual é a dimensão do vazio que abriga seu coração.
Nossa! Esse menino pode ser astronauta sim! Ele gosta de cálculos, vai bem em matemática e na feira de ciências do ano passado ganhou um prêmio! Acha que ele se importa em não ter o pai por perto?
Se importa sim! Mas bravamente ele resiste à idéia de um dia tentar encontrar esse ser.
Ele tem olhos lindos, grandes, azuis. Seu cabelo antes era loiro, agora está mais castanho que nunca. Gosta de Nescau e brinca com as batatas-fritas. Quem disse que não pode ser astronauta então?
Pode, pode sim. Ainda o veremos na TV. Circulando pelas notícias sobre a NASA, ele vai para o espaço.
Menino, menino...Olha aqui um instante. Te observo todos os dias, sei a hora que sai de casa, sei que prefere seu macacão amarelo e que usa boné somente quando tem muito sol.
Percebo-te distante desse mundo tão duro, tão pessimista, tão cruel. Vejo que guarda em seu bolso seu saquinho de bichinhos, muitos deles estão mortos, outros relutam pra sair pelas frestinhas, e as borboletas? Onde você as guarda? O que?
Junto com esses gosmentinhos? Ahhhh! Eles são amiguinhos?
Entendi...
Quanta virtude em apenas alguns centímetros de vida. Sinto certa inveja de ti. Não mentes, não engana, não sofre pelos outros, pois acredita que todos podemos viver bem. Tem apenas seus sonhos e isso lhe basta. Basta à você,saber que existe um lago para amparar suas pedrinhas...basta saber que seus bichinhos estão embaixo de troncos úmidos e te basta ainda saber que existe alguém que te ama muito.
Por isso você é feliz, porque não espera nada dos outros. O que precisa, busca.
O que foge de ti, sabe que não te pertence e que nada pode fazer para alterar isso.
Preciso aprender mais contigo, ainda preciso crescer.
Não sei contar estrelas, nem imaginei ir para o espaço. Apenas gosto de deitar na grama e analisar os desenhos que se formam, mas de uns tempos pra cá, nem o céu eu pude ver mais. A falta de tempo e a vida de gente grande tiram essas coisas do meu caminho. É mais conveniente participar de reuniões, ir para a faculdade, participar de simpósios e seminários. Olha menino, ainda há tempo. Seria inútil dizer para resistir a tudo isso, mas enquanto puderes ser apenas menino, seja...Depois, quando seus ossos começarem a crescer e sua pele quase derreter no sol, vai sentir tanta saudade!!!
Não vai adiantar chorar, isso eu garanto.
Me deixe apenas te observar...isso me alivia, me faz crer que a vida ainda é possível.
Agora, fecha teus olhos tão lindos, e deixa esse anjinho que está na janela, entrar. Ele não vai te fazer mal, ele vai apenas ficar te olhando enquanto dorme. Ao amanhecer ele vai embora e tudo volta ao normal, ele apenas quer dizer que és muito especial e que na vida nada acontece por acaso.
Fecha seus olhinhos fecha! Sinta o ventinho que entra pela janela...e não chore, não!!! Pelo que sei você não chora por qualquer coisa, por que isso agora? Ah, o travesseiro te entende? Mas e eu? Eu sempre estou te observando, sempre te vejo, te sigo, chore em meu ombro!
Você tem medo? Mas de quê? Não quer me contar?
Não! Não pense que vou rir de você. O que?
Você matou um passarinho? Ahhh menino, não se desespere, garanto que não teve culpa. Sei que não faria isso por mal, agora dorme, descansa, amanhã será um lindo dia, cheio de nuvens, cheio de picolé e de suco de uva está bem?
Isso, puxe seu edredom com desenhos do pateta. Amanhã conversamos mais...
Boa noite!
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Segunda-feira, Maio 30, 2005
Não costumo fazer isso...mas vou deixar a letra de uma música que acho muito linda!
Nando Reis -Mesmo Sozinho
Uh'' Baby!
Por que você foi pra tão longe?
Não precisava tanto
Bastava só não telefonar
Uh'' Baby, Baby, Baby!
O que aconteceu?
O ar não foi suficiente?
Você não viu, você sumiu
Mudou de lugar
No mais, estou vivendo normalmente
Não vou ficar pensando
se tivesse sido o contrário
Estou feliz
Mesmo sozinho
Esse silêncio é paz
Nesse momento cai
Uma forte chuva
Quem é vai ficar chorando?
Uh'' Baby!
Sabe do que eu tenho saudades?
Do seu sorriso de manhã
Do quarto tão desarrumado
Uh'' Baby!
Saiba que gosto muito de você
Espero que esteja feliz
E bem acompanhada
Normal, estou vivendo, simplesmente
Não vou ficar pensando
Se tivesse sido o contrário
Estou feliz
Mesmo Sozinho
Esse silêncio é paz
Nesse momento cai
Uma forte chuva
Quem é que vai ficar chorando?
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Segunda-feira, Maio 23, 2005
Retrato de mim por eu mesma....
Hoje....pra mim bastaria fechar os olhos e deixar esse dia passar como se fosse qualquer outro em que eu acordo às 07:00 e fico adiando o despertador a cada cinco minutos. Mas preciso abrir meus olhos, sair da cama quente, lavar o rosto e me olhar mais uma vez no espelho do banheiro. Voltar para o quarto, ver as minhas coisas bagunçadas, meu retrato caído, meu chinelo de pano virado. Me bastaria saber que mais um dia vai ser igual, sucrilhos pela manhã, café às 09:20 e pão francês. O telefone vai tocar desesperado, meu computador vai travar e o frio vai entrar pela porta que insiste em ficar aberta. Vou ler meus e-mails de auto-estima, debruçar-me sobre os papéis cheios de burocracia e pensar: o que eu fiz até aqui?
Vou passar a mão no cabelo, as pessoas vão se levantar e cantar parabéns, não vou saber para qual lado olhar e vou ter vontade de sumir daqui. Virão até mim, me darão abraços, apertos de mão e um cartão. Vou sentar na minha cadeira, atender novamente o telefone e continuar com meu dia, com minha rotina, como se tudo que vivo agora fosse congelando os minutos que ainda estão por vir. Não terei aula. Vou para casa pensando na vida ao atravessar a ponte e imaginando onde o rio vai parar. Olho para frente, as pessoas têm pressa...querem chegar sempre umas antes das outras e quase se derrubam pelo meio do caminho.
Chego em casa. Abro a porta, vai ter uma fatura de luz embaixo da porta, subo a escada, deixo o gato entrar. Vou para o quarto e vejo tudo como deixei de manhã. Volto para meu mundo, meus livros, minhas folhas espalhadas.Ligo a tv e fico assistindo os filmes da TNT. O telefone não toca, ninguém manda mensagem, ninguém me visita. Abraço minha almofada, deito atravessada na cama, e começo a chorar. Passou mais um dia, fiz mais um aniversário. Para completar minha solidão, vou até a cozinha, faço um dos meus intermináveis chás, retorno para meu quarto esperando ouvir a voz de alguém, mas não há ninguém. Permaneço sozinha até dormir. Permaneço com meus pensamentos mais medonhos, fico imaginando o que eu seria e como seria se eu tivesse tomado algumas decisões diferentes. Não me arrependo de muitas coisas que fiz, isso não, apenas queria voltar e mudar algumas. É triste me sentir assim: sozinha.
Acho que não me acostumei com o fato de estar sem namorado. Não que eu queira namorar, nem sei mais o que pensar. É bom ter alguém para ligar, para saber como foi o dia ou simplesmente para abraçar bem forte e ter a certeza que esse alguém realmente se importa.
Dormir com um cafuné....acordar com um beijo às 08:10 e voltar para minha rotina.
Sinto falta dos abraços, beijos e dos olhos nos olhos e também tinha esquecido como é bom ganhar um carinho. Infelizmente não podemos programar o coração das pessoas, sequer fazer elas gostarem do nosso jeito de rir ou de dormir. Precisamos apenas crer que um dia quem sabe, tudo vai ser diferente. É, agora sou de maior duas vezes!!!
P.S: meu aniversário é amanhã...
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Quinta-feira, Abril 07, 2005
ASSIM É A VIDA!!!
Pobre, negro, pequeno,olho grandes, castanhos, rasos d'água
Pernas finas, pés achatados, dedos longos, sorriso apagado.
Sonhos, desejos, vontade...
Ele segue seu longo trecho, aclives, declives, curvas.
Ele vive seu emaranhado de sonhos apenas em sua cabeça de menino.
Inocente, decente, vigia do mundo.
Se habituou a observar seus irmãos, tão pequenos, tão frágeis, tão meninos. Eles se espreitam pelos sinais, desviando cada vez mais, de seus trágicos destinos.
Ele passa fome, sente frio e ainda brinca de esconder...Dribla a violência, acreditando que a vivência melhorará quando crescer.
Sente seus olhos se afastarem do chão e bater seu coração, mas quanto mais ele cresce, mais ele permanece: menino. É triste, fechado, decepcionado.
Não lhe foi dado o direito de ter direito. Não teve colo, nem abraços, ovos de páscoa, nem carrinho de plástico, sequer natal.
Pobre criança, nem tão pobre de sonhos. Cultiva entre os dedinhos, uma pequenina flor...segue ao cemitério e nada mais o tira do sério do que conviver com a dor.
A ausência trás a saudade. Ele se recorda que nos fins de tarde brincava com seus irmãos.
Perdeu pai, mãe, vó e o tio João. Ele já faz parte do mundo injusto, desde que uma bala arrancou de sua boca um NÃO!!!
Ele queria que o tempo voltasse para sentir novamente mesmo que em sua mente, o quanto é bom não partir...ele os amaria pelo fim dos seus dias.
Seu nome não sabemos, seus pais não conhecemos, ele é chamado de ladrão??? É filho da violência, retrato da impaciência, desse estado que não é nação.
Ele pode perder? Só por que é negro, pobre e pequeno? NÃO!
Ele também tem sentimentos, também queria beijos de bom dia e café com pão. Queria seus pais sempre unidos, ter nos lábios um sorriso, caminhar sem pé no chão.
Olhar para a frente, sem ter medo de patrulha, sem esgotos pelas ruas e ratos no porão.
Queria ser normal, com gatinhos no quintal...queria a sensação de felicidade que não é possível hoje e nem foi naquela idade, quando brincava de ilusão.
Seus amigos lhe foram tirados, quando bandidos apressados os baniram desse mundão.
Ele queria sobreviver, sem ter que recorrer à ''Fome Zero'' , ''Auxílio Gás'' e ''auxílio sonho''. Quer seus direitos, quer terra, uma casa e portão.
Mas ele reconhece que se por um instante tivesse, seus pés menos no chão...voaria mais alto e diria aos homens do ''Planalto'': Quero ser cidadão.
Ele é filho desse país, que ainda tem gente que diz que ''é brasileiro e não desiste nunca''. Mas ele desistiu, cansou de viver de auxílios, se submeteu a seu próprio exílio e morreu sem ter caixão. Se igualou a muitos, seu corpo não tem identificação.
Sem CPF, sequer identidade, esse menino da cidade não possui mais vida em seu coração.
Ele se foi , mas não há ninguém para sentir sua falta. Era comum, só mais um, sem títulos, sem faculdade , sem nada.
Mas vejam a TV, o papa vai morrer, mas quem era esse João? Ah! Sim..dono de um país, sua vida está por um triz , seus ossos querem o chão.
A mídia dramatiza, o povo se sensibiliza e faz na praça uma oração.
Mas e aquele menino, retrato do que vivemos, sequer lembraremos...porque nos faltou olhar para os lados. Já o Papa!! O ''papa é pop''.
Vejam!!!!! Mais um repórter...correria, agitação, nossa! O Papa não está no caixão! Ele morreu e deixou seu legado, seus ensinamentos, seus sentimentos, pena que ele não conheceu o "Abusado" .
Ele não viu a favela, a miséria, nem os pés no chão de muitos favelados.
Agora brigam por besteira, falam nas igrejas de uma nova eleição. Será latino, será negro? Eu pergunto: Será humano ou mais brasileiro?
Amanda Maria de Freitas / 06/04/2005
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Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005
Chega!!!!
(desabafo)
Somos anjos sem asas abatidos pelas adversidades dos dias
Somos fingidores, amadores, intempestivos...
Humanos, porém errantes...
Frágeis, porém insistentes...
Costumamos abandonar nossas esperanças pelo caminho e adotamos o medo como nosso principal aliado e...sofremos...
Sofremos sempre que deixamos de acreditar nos sonhos, para nos tornarmos simplesmente marionetes de nossos ridículos medos.
Calamos nossa verdade em nome da satisfação de certos amigos...
Negamos nossa sabedoria por causa do entendimento que queremos ter com as pessoas, mas nos abandonamos e permanecemos sozinhos...
Sozinhos em casa, na rua, no trabalho...somos seres sozinhos, que podem contar apenas com a própria dor, com a sua própria máscara diária, com seus medos e receios...e no final de tudo, somos apenas nós de novo, sozinhos.
Não temos a confiança das pessoas porque flagelamos e subestimamos a amizade delas.?
Muitos são hipócritas eu diria, porque preferem se cortar na navalha a acreditar nos outros lados da história.
Prestem atenção futuros jornalistas: ouçam os outros lados...a verdade nem sempre é a que parece. Pré julgamentos são feitos em nome do que alguns acreditam ser sabedoria e entendimento total das coisas...mas essas pessoas são as mais fracas, porque manipulam sua própria verdade.
Sinto que estão todos jogando. Seja no trabalho, na rua, na faculdade, todos nós manipulamos verdades. Mentimos quando nos convém e negamos quando necessário, mas todos nós somos fingidores.
Fingimos não sentir dor, não acreditar mais no amor. Somos seres sem cara! Apenas trocamos as máscaras.
Não estou querendo ter pena de mim , sequer me fazer de vítima, afinal agora estou percebendo como é realmente esse mundo de ''gente grande'' e sei que não adianta chorar, o mundo não vai parar para ouvir meus lamentos. Estou aprendendo que nem sempre posso confiar em quem acredito merecer minha confiança. Estou deixando meus egoísmos de lado e ao mesmo tempo estou me fechando para a maldade dos que se dizem humanos. Você que está lendo isso deve estar se perguntando o porquê de tanta revolta, e eu te respondo: Porque sempre confio demais nas pessoas e sempre acabo me iludindo. Sou fraca demais e acredito demais. Quem me dera conseguir ser falsa e negar meu jeito de ser...mas sou apenas eu, assim como você, um anjo sem asas.
Eu tenho medo. . .
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Quarta-feira, Fevereiro 16, 2005
APENAS UMA PARTE!
Está bem. Eu sei que não tenho ninguém para mandar cartão de aniversário, nem ligar para saber se deu certo a proposta de emprego ou para ajudar a trocar o pneu do carro. Mas foi isso que escolhi. Não devo me culpar pela falta de zelo, pelos beijos que me foram roubados ontem, nem pelo fato de ter tomado guaraná com gelo. Fui dormir tarde eu sei, mas a vida é assim mesmo, estou saindo dia-a-dia da rotina e isso está me fazendo bem.
Estou fazendo coisas que antes me pareciam ser reais apenas nos filmes e entre pessoas que não tinham mais nada pra fazer, mas descobri que as coisas não são como parecem ser.
É bom não criar muitos vínculos, porque automaticamente nos prendemos e voltamos a ser escravos do que acreditamos ser amor. Mas amor mesmo é livre. E por enquanto, ainda não encontrei ninguém para comer pipoca deitada no chão da sala para assistir filme.
Se a rotina não fosse tão eletrizante, talvez fosse mais fácil olhar para os lados e perceber que ainda existem pessoas boas e que me notam, mas sabe, vou deixar isso para mais tarde e por conta do destino.
Essa é a minha vida de solteira, dou risadas e tomo cerveja. Estou descobrindo os sabores dos destilados e dos energéticos. Não pense errado, não sou alcoólatra, pelo contrário, abomino quem se dedica a fazer isso com a própria vida, digamos que apenas aprecio com moderação! Descobri que sei me equilibrar muito bem em cima de um salto de 11 cm.
Vou me descobrindo a cada novo passo que dou e já sei alguns limites. E olha, vou te contar, as pessoas podem ser muito traiçoeiras, mas aprendi que nada é melhor do que ter fé em Deus e me perdoem o misticismo, mas um bom incenso também ajuda!
Tudo bem que eu tenho medo de ficar em lugares que eu sei que não posso abrir ou que eu não tenha a chave em mãos, mas cada um tem seus medos não é mesmo?
Bem , voltando ao que eu dizia no começo, sobre estar sozinha e de bem com as minhas escolhas, não é tão ruim como muitos casais por aí acreditam. Pense bem, posso sair de casa a hora que eu quiser sem ter que ficar dando satisfações e me enchendo com comentários de ''amigos'' do namorado. Posso escolher não querer comer na casa da sogra quando a minha vontade é apenas comer meu pão francês com margarina, na minha casa, bem sozinha, apenas eu e meus pensamentos.
Alguém pode pensar que isso é egoísmo, mas eu chamaria de força de vontade para viver. Estou curtindo essa minha nova vida e meus novos hábitos e vi que quando levamos a vida mais na esportiva, as coisas se encaminham sozinhas. Claro que nunca vou gostar de mamão e banana na salada de fruta, mas isso não quer dizer que não os comerei. Assim é a vida. Nem sempre teremos rodelas de abacaxi bem geladinhas depois do almoço, mas quem disse que preciso disso todos os dias?
Daqui a pouco perceberei que não era preciso me preocupar tanto com o futuro, porque ele sempre vai acontecer um segundo depois ''do agora''. Então, devo me precaver de tudo hoje, nesse momento.
Não tenho a vida que sempre sonhei, mas isso me dá forças para buscá-la. Sou uma pessoa normal com a história de vida muito parecida com a de muitos, não nego, mas cada um se torna especial por alguma coisa que faz. Eu estou fazendo amigos, coisa que acreditei ser impossível, mas eles existem.
Quanto a mandar cartões de aniversários, ganhar e dar presentes, receber flores em comemoração do aniversário de namoro, deixo isso para os casais apaixonados e que viram um no outro a necessidade de permanecerem juntos. Eu quero mais é viver um dia de cada vez e quero arriscar sempre que sentir necessidade. Correr riscos faz parte da vida e crescer faz parte da evolução. E quem sou eu para contrariar não é mesmo???
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Segunda-feira, Janeiro 10, 2005
Somos vítimas das nossas escolhas!
Por mais que eu tente pensar que a vida é simples e que tudo tem a hora certa para acontecer, mais eu me convenço que não passamos de mutantes que sempre se decepcionam com alguma coisa. São emaranhados de papéis, filas nos bancos, fila nas farmácias, pessoas trancadas em prédios e em escritórios . Telefones que disparam agoniados para serem atendidos. Linhas que se enrolam, impressoras que travam, portas que se batem, vírus nos computadores....nos tornamos vítimas das nossas escolhas. Escolhemos mudar, mas as mudanças são nocivas à nossa felicidade!
Acreditamos que a felicidade está direcionada à ¿comodidade¿ , mas não é bem assim que as coisas funcionam. Vivemos , crescemos, choramos, rimos, saímos, dançamos, tudo porque acreditamos que depois de todos esses processos, poderemos viver o tão sonhado momento de felicidade. E a vida passa e nem nos damos conta de que esses momentos que se passaram eram a própria felicidade, meio camuflada, mas era!
A rotina sufoca aquilo que queremos, pois ficamos bitolados e sem coragem para reagir às incessantes promessas de mudanças que fazemos a nós mesmos todos os anos.
Nos enganamos e nem ficamos vermelhos. Mentimos para nós sempre que dizemos que não somos capazes e que a vida é injusta. Na verdade esquecemos de agradecer todas as coisas boas que temos e nos afundamos em pensamentos ruins. Esquecemos o quanto recebemos coisas boas todos os dias, seja um abraço, um sorriso, uma palavra.
Esse mundo que estamos escolhendo está nos tornando egoístas e tenho medo. Medo de não saber mais lidar com tantas coisas novas e superficiais. Medo de ter que me tornar alguma ¿coisa¿ que não quero ser. Medo de ter que fingir que eu consigo, quando nem tenho mais forças para tentar.
Por mais que eu tente vigiar meus pensamentos e fazer com que eles sejam positivos e livres de qualquer maldade, mais eu percebo que falta muito para me encontrar. As paredes desse labirinto chamado vida são muito altas e difíceis de pular, por isso desisti de tentar atalhos e estou esbarrando em cada obstáculo. Pode ser que seja mais demorado, mas é mais seguro, porque não corro o risco de ter que ficar em cima do muro, com medo de descer cada vez que conseguir subir um pouco.
Vou experimentando as fases, uma a uma ,e sinto todas elas e aprendo com todas . Nem sempre poderemos estar felizes, nem sempre serão justos com nossos sonhos, mas o que importa, é que no meio dessa loucura toda, de papéis, de telefones, computadores, internet, jogos e promoções, podemos encontrar felicidade, basta querermos isso. Certa vez me perguntaram qual a única maneira de ser feliz. Eu não soube responder. Mas me enchi de esperança quando ouvi a resposta: Sendo Feliz!
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Sexta-feira, Janeiro 07, 2005
É
Não me proíba de dizer as palavras que estão presas em minha garganta! Elas são frutos da angústia que agora sinto e do medo que povoa me coração. Não decidi gostar do teu cheiro, nem lembrar do teu beijo sempre que vejo casais pela rua. Não decidi lembrar da sua voz sempre que o telefone toca e nem quis desejar ter sua presença agora. Mas não sei o que houve. Algo saiu errado. Não era para ser assim.
Nunca quis franzir a testa de preocupação , nem falar teu nome quando estou andando sozinha pela rua. Mas por que isso está acontecendo? Não tenho mais domínio sobre meus próprios passos! Olha o que fez comigo quando me olhou e disse que havia um brilho diferente nos meus olhos! Fiquei boba e estou vendo meu mundo se estatelar no chão. Eu sei que desejei demais e que sempre acabo gostando sozinha, simplesmente porque não consigo gostar pela metade! E agora, quando lembro do toque de sua mão em meu rosto, seus dedos nos meus cabelos, fecho novamente meus olhos , para que eu possa voltar ao passado e reviver isso ,mas dessa vez apenas na lembrança.
Tentei de todas as maneiras não lembrar do teu sorriso nem do ruído da sua respiração. Mas, foi em vão.
Claro que a minha vida continua e perpetuo essa rotina.Enquanto meus planos mofam pelas gavetas, eu tento não pensar mais em você, pelo menos em um minuto dessa imensa tarde!
São quase seis horas...o relógio parece não querer colaborar para os minutos finais. Onde estará você? Será que perde um segundo que seja do seu precioso tempo , para lembrar que um dia passei na sua vida?
Bem , já se foi mais uma semana, logo virá a outra e assim a vida vai passando. Como disse, nunca quis ser tão patética como estou sendo, mas o que posso fazer?
Me disseram que isso se chama paixão, meu Deus, de novo não!
Só quero calma, beijos, abraços,sorrisos, palavras e alguém que se interesse pelos meus planos...só isso eu queria agora!
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Terça-feira, Janeiro 04, 2005
Meu coração palhaço
Escuto barulhos no meio da noite, são batidas...brandas e fortes...
Elas aumentam à medida que abro meus olhos.
Meu quarto está escuro e os móveis estão recortados pelas sombras.
Chego a ter pena desse meu pobre coração que se entrega e nem vê caminhos,
se apaixona e permanece sempre sozinho.
Tenho pena da saudade que ele guarda,
do amor que ele não gasta,
da paixão que sempre o abandona.
Tenho medo da dor que ele possa sentir,
tenho pavor dos amores que eu proibi.
Mas não posso deixar ele aí, sem sentimento algum , mesmo que seja de perda.
A vida é assim mesmo.
Não se pode prever as mágoas, nem descrever as alegrias, nem subestimar as palavras. Vive-se e pronto,
e a cada minuto que passa nos enchemos de esperança que o outro dia que virá poderá ser melhor.
E quando vemos passou mais um ano.
Tenho pena de ti meu pobre coração.
Não sei porque te fazem de palhaço!
Se escoram na sua fraqueza e fazem da tua sinceridade palco para tristezas.
Te impõem amor, te negam carinho,
fecham as portas e te fazem se sentir mais do que sozinho,
e você permanece abandonado,
mergulhado na sua tristeza.
Tentas desabafar com o travesseiro, mas isso não basta, é preciso mais !
É preciso um abraço bem apertado, aquele perfume que invade os pulmões, é preciso a presença, a pele , o calor.
Pobre coração, que se perde entre as comédias e chora, se entrega até nos filmes que são pura estória!
Lava as tuas tristezas no colchão e desaba em desespero pelo chão. Breve saudade da alegria, de vez em quando me invade ,e posso sentir o cheiro daquelas tardes, que era feliz e não sabia!
Se és meu coração palhaço, lhe aceito com essa condição, te levo sempre aqui dentro, mesmo amargurado, mesmo sufocado, mesmo predestinado a carregar as maiores dores de insensatos amores, que por sua vez não lhe são dignos.
Sabes que é capaz de ser o que quiseres e assim como és palhaço podes rir muito de todos os teus aprendizados...e fazer do teu humilde espaço em meu peito, um verdadeiro espetáculo!!!
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Segunda-feira, Janeiro 03, 2005
Não quero passar pela vida sem tentar, sem presenciar as dores, sem viver por novos amores. Não quero que me privem da saudade, dos medos, das minhas fugas em plena noite de chuva!
Deixem-me ir ao encontro da vida...e de encontro com a verdade...quero descobri-la sozinha, mesmo que me machuque...preciso passar por isso, não quero passar pela vida sem arranhões. Preciso aprender a me manter viva, mesmo que precise viver sozinha todos os dias de minha breve existência!
Aceito esse desafio, assim como aceito qualquer dificuldade que venha pelo meio do caminho. Cansei de reclamar que tudo estava errado e pude perceber que tudo tem sua hora e que não adianta querer que as coisas mudem se você não mudar primeiro.
Não sei o que houve comigo, parece que sou outra pessoa, comecei este ano com mais esperança, com mais vontade de mudar o que está errado na minha vida e por incrível que pareça estou pensando em mim. Quero que essa força de vontade permaneça sempre por perto, pois está me fazendo muito bem!
Estou enterrando meus medos e ninguém tem idéia de como é bom estar de bem com a vida e com disposição para buscar o que se quer...e eu quero ser feliz, todos os dias, o primeiro passo eu já sei....e com certeza, não deixarei ninguém proibir que esse meu trajeto continue!
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Sexta-feira, Dezembro 17, 2004
E viva você!!!!
Viva para você, para seus planos e suas constantes vitórias
Viva pelo prazer de acordar todos os dias e saber que terá alguém que você ama muito, sempre por perto...isso inclui amigos e família.
Viva para os amores que ainda virão, pelos lugares que vai conhecer, pelas palavras que vai dizer, pelos sorrisos que vai distribuir.
Abra seu coração sempre que for tomar alguma decisão, só assim estarás sendo verdadeiro e de acordo com seus propósitos.
Viva pela alegria de saber que existem pessoas que te amam e que querem teu bem.
Transforme sua vida, abra as janelas do seu quarto, purifique sua alma, sorria, olhe, abrace, dance, grite, brinque, imagine, realize.
Seja sempre você mesmo, em todos os sentidos.
Seja autêntico com as pessoas e com seus propósitos, e acredite nos seus sonhos.
Viva para a vida que te espera!
Que todos tenham um ótimo Natal e que 2005 seja um ano repleto de realizações!
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Quinta-feira, Dezembro 16, 2004
ME LEVA!
Me leva com o vento....
para longe das pessoas e dos pensamentos...
me faz descansar pelos sonhos expostos na varanda da tua casa.
Me chama para perto de você, me faz sentir alegria em estar viva e me mostra uma razão para querer te ter por perto.
Me leva daqui, desse lugar feio, sujo e sem graça,
me faz acreditar nas promessas, nas manhãs que surgem pela janela.
Estou debruçada em meus planos e me vejo correr para todos os cantos dessa casa
Me leva para o mar, onde eu consigo encontrar descanso, onde as ondas levam minhas amarguras, meus medos e enganos.
Me leva daqui, estou com medo de sentir medo...
fale-me baixinho o quanto sou importante em sua vida,
me fale que tudo vai dar certo, porque só assim eu tenho fé...
Me abrace bem forte e me faça sentir as batidas de seu coração,
Seu calor, sua pele, sua sensação!
Segure minha mão, bem firme e me leve daqui,
Me leve pra onde sua vontade quiser....só preciso ir embora..
Tenho medo de viver , de perder, de olhar para trás
Tenho medo das pessoas, dos olhares...tenho medo de me arrepender, medo de me entregar, sentir...
Por mais que eu queira, por mais que eu negue, por mais que eu pense, mais eu eu fuja ....não posso esquecer que não posso me esquecer...
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Quinta-feira, Dezembro 09, 2004
Assim que eu vejo o amor...
Passo a passo, sinto-me deslizar pelo amor, mais uma vez.
Enquanto eu desejo não sofrer, o amor me pega desprevenida.
Já não sei mais quem sou e não pertenço mais às minhas vontades. Já sou levada a crer que a vida não possui graça se eu não sentir aquele cheiro ou aquele beijo.
E as horas passam como se quisessem me trazer para perto de ti, mas não estás aqui.
O que busco é a sua presença, no entanto, ela não existe, porque eu criei falsas expectativas,
e como sempre, volto para casa,
com os olhos cheios de lágrimas e transbordo minhas dores no travesseiro.
É, essa sou eu, com meus medos, minhas dores e meus falsos amores.
Parece que a vida não é a mesma se não tiver alguém em quem pensar,
com quem sair, com quem sorrir,
dividir as alegrias, as amarguras, as vitórias inclusive as derrotas.
Volto sempre ao início dos meus sonhos,
tentando encontrar alguém ideal para amar e dividir minha vida.
Não creio que eu seja uma pessoa má ou que seja difícil de entender.
Sou humana e é claro que possuo defeitos e erro, erro muito,
mas sempre estou tentando mudar.
Tem horas em que estou tão triste,
até sem forças para me mover pela cama,
permaneço estática, no meu mais completo silêncio,
escuto as batidas do meu coração,
sinto minha respiração, vejo meus pés ,
vejo meus dedos, mas não quero me mover.
Parece que quando faço isso o mundo conspira ...
Não quero muito, como já repeti várias vezes.
Quero alguém em quem eu possa confiar sem ter que fazer cobranças ou ter ciúmes .
Quero alguém que me baste em todos os sentidos.
Sem que eu precise reclamar ou chorar.
O amor tem que ser assim, único, sem mágoas, nem dores, nem arrependimentos.
Deve ser uma total entrega de quem realmente somos e não de quem queremos ser.
O amor sempre quer que eu o encontre, mas cada vez que eu tento isso,
ele parece fugir de mansinho e mais uma vez e eu volto a ser quem era.....
tudo de novo!
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Sexta-feira, Dezembro 03, 2004
E EU....
Eu nunca sonhei com muita coisa.
Só queria um par de gatos, uma lareira, um lindo gramado, uma rede...um abraço....queria uma vista para o mar,para o infinito, onde as pedras costumam quebrar as ondas.
Imaginei várias cenas da minha vida com fundo musical de seriado americano, sei lá, me passava uma certeza de que tudo se resolveria e que por mais problemas que a mocinha tivesse, no final tudo sempre dava certo e entrava aquela música linda que sempre me fazia chorar. Mas a vida não é um seriado e finais felizes nem sempre são possíveis.
Escrevo minhas dores e meus desejos! Que estranho, e ainda existem pessoas que me lêem..
Eu nunca quis grandes porções de amor, de saudade, só desejei ser lembrada, querida. Queria sentir minha barriga doer de tanto rir, sentir o vento nos meus cabelos, massageando minha pele... Nunca quis o ócio que agora vivo.
Desejei a vida e tenho a solidão.
O que posso pensar é que desejar não basta. Eu nunca sonhei com muitas viagens, muitos amores...queria apenas menos dores.
Queria conhecer-me e naufraguei pelos meus sonhos, que estão mergulhados em pranto.
Desejar! De que me adianta isso?
Se quando percebo continuo sempre no mesmo lugar? Se as folhas continuam sendo varridas pelo vento e eu nada mais sou do que um breve pensamento, de alguém que insiste em me querer bem.
Não queria muita coisa, só desejo ser feliz sem ter que me negar todos os dias. Sem ter que fechar meus olhos sabendo que no outro dia será tudo igual, senão pior que hoje.
Não desejo o desperdício, nem vida fácil, nem amores impossíveis. Não desejo olhares de pena, nem desespero, nem soluços.
Nunca quis ser princesa ou possuir castelos. Afinal descobri que as maiores fortalezas e os maiores tesouros estão dentro de nós. Nunca quis ser infeliz, e estou descobrindo que eu só passo por aquilo que eu posso suportar e que , quem possui as rédeas da minha vida sou eu mesma. Talvez, quando eu me amar de verdade, acima de todas as coisas e pessoas, eu descubra a pessoa que sou e quem sabe nesse dia, as pequenas coisas que agora desejo, se tornem realidade!
MEDO!
Eu tenho andado tão só e tão distante...
tenho visto mais casais pelas ruas,
mais pessoas estranhas...
mais muros caídos,
mais personagens criados.
Tenho presenciado a discórdia,
o desafeto, as amarguras da vida terrena...
tenho chorado pela minha falta de compreensão.
Tenho me trancado em casa na esperança que esse pesadelo chamado mundo termine. Tenho pensado em desistir das coisas que busco,
das coisas que acredito,
pelo simples fato de que parecem não fazer mais sentido.
Tenho medo de me sentir viva,
medo de me abandonar pelo meio do caminho.
Peço força, coragem , sabedoria para os dias que virão....
serão dias de incerteza , de lágrimas, de perdão.
Eu tenho visto as pessoas com seus defeitos,
os amigos com suas amizades desfeitas,
pessoas que se agridem sem razão.
Tenho sofrido diversas vezes pela desigualdade dos dias,
pelos caminhos complicados,
pela falta de apoio, de amor, de saudade, de esperança.
Tenho chorado pelos dissabores, pelos horrores,
pela escuridão.
Mas principalmente, pela falta de atenção!!!
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Segunda-feira, Novembro 22, 2004
A VIDA
Se a vida não fosse agora eu jogaria meus sapatos pela casa e abandonaria meu trajeto rotineiro. Embarcaria nas viagens mais estranhas e me projetaria pelo espaço.
Se a vida não fosse agora eu despertaria a hora em que eu quisesse e esqueceria que o tempo me prende nos lugares que geralmente não quero estar.
Se a vida não fosse agora eu iria passear pelos meus sonhos e descansaria na grama que imagino estar pisando nesse momento.
Se a vida não fosse agora, eu me calaria e deixaria a fantasia dominar meus pensamentos e lançaria pelos ares todos meus projetos, todos os planos mais eloqüentes, mais freqüentes e desabilitaria minhas angústias, meus medos e desalentos...e tudo seria mais poético, menos vazio, teria mais sentido, seria mais verdadeiro...
Se a vida não fosse agora eu me lançaria pelas idéias mais malucas que habitam minha cabeça e faria delas meu caminho.
Mas a vida acontece agora, enquanto eu escrevo..enquanto vivo esse tormento, enquanto desabilito minhas vontades e creio em sensações que não serão minhas.
A vida acontece nesse momento em que eu desejo deixar de ser quem sou para me tornar quem eu quero ser...me falta a capacidade de arriscar, de criar, de fugir, de me envolver, me transpor...me falta a capacidade de olhar para os lados e perceber que eu posso deixar os sapatos jogados pela casa, basta que eu queira!
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Quarta-feira, Novembro 17, 2004
Quando sentir meus ossos pesados de encontro ao chão, deformando minha pele que se machuca ao cair no solo, quero fechar lentamente meus olhos e chorar o sufoco e a saudade da vida.
Quando eu sentir que ainda me resta um suspiro, quero dedicá-lo às pessoas que mais amei, que mais sonhei, que mais desejei.
Quando eu puder fechar meus olhos transbordando em lágrimas, quero abrir minha garganta e gritar bem alto que não quero ir embora.
Quero vida!
Quando sentir meu corpo esfriando lentamente, sem chances de que nada possa vir a aquecê-lo, quero falar baixinho o quanto fui feliz o tempo em que vivi.
Quando você estiver lendo isso, pense na pessoa que fui, em como me conheceu, como eu era, como sorria, o que eu sonhava...
Pense nos planos que jamais pude realizar e nas viagens que nunca fiz...
Pense no perfume que sempre fica no ar depois que passo, nos cabelos caídos pelo chão da casa. Pense na pessoa manhosa que fui e na preguiçosa que agora se despede tristemente da Terra.
Pense nas longas manhãs de agonia, de saudade, de amor, pense nos beijos, nos abraços e até nas lágrimas.
Se estás lendo isso, é porque não fui forte e nem capaz de permanecer aqui...e não escolhemos a hora de partir.
Quando sentir que seus olhos estão invadidos por lágrimas, devore-as por favor!!! Já bastam-me aquelas que desperdiço agora...
Queria ver minha família toda reunida de novo, envolvê-los num abraço bem forte, e dizer que eu os amo muito...
E que a minha partida nada tem a ver com fracasso ou falta de amor, tem a ver com meu destino...
Estarei em paz....
Amanda Mª de Freitas
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Segunda-feira, Novembro 01, 2004
FELICIDADE
E agora, quando os olhos se fecharem transbordando lágrimas, me fecharei aqui no silêncio que penetra nesta sala fria, apenas para tentar entender o que eu fiz de errado. Me culpo todos os dias pelos erros que não deveria ter cometido, pelas músicas que deveria ter dançado, pelos beijos que neguei, pelos afagos que não dei. Me culpo pela poesia fria, sem sentido, pelas vozes que entoam palavras tristes. Me culpo pelos passos que me foram negados, pelos dias que me são tirados, pela vida que me é confiscada.
É fácil me considerar culpada, afinal isso me acalma. Mas carrego em meus pensamentos uma dor que invade meus sonhos mais secretos. Me pergunto então se o que eu imagino para minha vida vai acontecer, se poderei ser o que quero, o que busco e aquilo que muitas vezes nego.
Quero a paz , quero sucesso, quero vida nova todos os dias.Quero o despertar de novos amores, a vida mais viva, sem dores. Quero o sol me aquecendo de mansinho, enquanto meus sentidos navegam em busca da maresia. Quero um apartamento no sétimo andar, bem amarelinho, com uma vista pro mar, um peixinho no aquário, uma xícara com café. Tudo isso só meu, com dois quartos grandes, arejados, cheio de fotos, de lembranças, de imagens que me retomem o passado que perdi.
Quero sobre a mesa pães de queijo, chocolate quente e no final do dia um beijo apaixonado. Quero a brisa, quero o abraço, tudo isso quando a felicidade que me cabe, quiser ser minha!
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Quarta-feira, Outubro 13, 2004
HOJE, TUDO PAROU
Hoje o mundo parou e pude ouvir delicadamente, cada gota de chuva que caía.Eram pequenas, doces, finas, eram simples gotas de chuva caindo na terra. Ouvi passos que caminhavam lentamente ao meu encontro. Eles se aproximavam de meu corpo que estava estendido no chão, sem vontade de se mover. Ouvi vozes que perpetuavam ecos em meus ouvidos. E o mundo permanecia imóvel, apenas ouvindo meus tormentos. Tudo era tão vazio e sem sentido.
Hoje, fechei meu coração bem devagarzinho...em certos momentos eu tentei deixá-lo com a porta entreaberta, mas não consegui, ela insistiu e foi se fechando sem dó e resmungou que ninguém tinha ''pena'' dela. A abriam e fechavam o tempo todo.
É talvez seja hora para parar e repensar em tudo. Nas horas tristes, nas lágrimas que meus olhos não suportavam mais, nas noites cheias de mentiras, de medo, de pânico, de solidão.
Parar para pensar quais verdades quero para minha vida, o que me faz bem, o que me mantém viva, respirando mais um dia, nesse ócio total.
O mundo parou para mim, para os meus planos, meus projetos, meus descasos cheios de réplicas. A verdade parou na janela do meu quarto e se debruçou de mansinho na soleira e me disse: Chega! Não quero mais vê-la chorar.
Sei que é difícil ir contra certas verdades, por isso essa eu segui. Porque se tratava da minha felicidade.
Meu coração está tão vazio, tão apertado, amargurado. Sinto um nó em minha garganta e tenho medo. Quero que o mundo volte a girar e que me embale nas suas canções mais banais. Quero sentir o vento derrubando minhas lágrimas de alegria. Quero ser embalada pelo suspiro dos amores que ainda virão. Quero amor, quero paz, quero minha alegria de viver de novo.
Sozinha estou e sei que isso passa, assim como muitas coisas passam. Já enfrentei tantascoisas , já tive tanto medo e superei. Tudo melhora quando acreditamos que é possível.
E quando o mundo quiser parar e me fazer ouvir o grito das ações do tempo eu responderei que, não adianta me assombrar, já não temo mais! Eles podem soprar as coisas mais indesejadas, os amores mais impossíveis, as dores mais profundas, pois nada mais me abala. Me fecharei aqui, na dúvida de meus dias, na angústia dessa saudade que parece me matar. Mas o que interessa é que estarei aqui. Viva! Esperando mais uma dia.
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Terça-feira, Outubro 05, 2004
''LIBERDADE AINDA QUE TARDE''
O que seria a liberdade? Como poderíamos defini ¿la? Seria um suspiro clamando por água no meio do deserto, seria um olhar pela fechadura do vizinho? Seria se expressar sem ter medo de se expor? Liberdade é falar sem ser criticado, é prevenir e se comunicar para quem quiser ouvir? É um dom?
Liberdade segundo o Dicionário Michaelis quer dizer ''Estado de pessoa livre e isenta de restrição externa ou coação física ou moral''
Partido do pressuposto que liberdade seja ter livre expressão de idéias, nos deparamos com questões mais relevantes para o meio jornalístico, que seria a criação do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ).
A Revista Veja na edição 1867 do dia 18 de agosto, trouxe em sua capa uma imagem intrigante de uma estrela com um olho dentro. Nas páginas centrais o tema é abordado de maneira extremamente unilateral por deputados, empresários, atores, escritores e outras personalidades. Falar da Criação de um conselho envolve muita coisa, pois isso está diretamente ligado à Liberdade de Imprensa. Nossa atual Lei vem da época da ditadura militar, onde havia muita censura. Vivemos atualmente em um país democrático, mas que se perde em questões como essa, da criação do CFJ.
Todas as profissões sérias possuem um conselho. Ele estabelece padrões e manifesta índices consideráveis em termos de organização das classes. Fazer parte de uma organização nada tem a ver com manipulação de pensamento ou com censura. Significa dispor de um sistema favorável aos interesses da profissão. Possuir esse dispositivo a nosso favor é ter uma garantia de que estamos partindo para a legalização do nosso trabalho que já é tão mascarado pelos incontáveis anos de injustiças.
É preciso desmistificar essa visão que se tem do conselho. Na própria revista autoridades se colocam totalmente contra ao CFJ. O que mais surpreende é que jornalistas conceituados tenham uma visão politicamente desfavorável. É o caso de William Bonner, editor-chefe e apresentador do Jornal Nacional da Rede Globo. Ele comenta na entrevista à revista Veja que ¿Qualquer órgão que represente ameaça à liberdade de informação, tenha o nome que tiver, precisa ser rejeitado enfaticamente pela sociedade e por seus representantes democráticos''.
O que mais impressiona é que o Conselho não tira a liberdade de imprensa e não sufoca os ideais propostos na Lei de Imprensa. Então, como viver democraticamente se não temos direitos às escolhas? A grande mídia está burocraticamente ironizando a criação do conselho, pelo fato de que quebra paradigmas e afasta seus próprios interesses. Se não os interessa ( a grande mídia) , então parece que não faz sentido de existir.
Estamos parecendo massa de moldar. Irritáveis massas de moldar que nunca permanecem no lugar! Por que ser organizado é ruim?
Por que estão envolvendo questões políticas e de partidos em assuntos que deveriam ser esclarecidos de maneira substancialmente simples ? Quem pode responder essas questões de relevância nacional?
O que pensar no meio desse turbilhão de informações favoráveis e desfavoráveis? O que é o mais sensato?
O que sei é que regulamentar é preciso, ter liberdade de expressão é um direito garantido por lei. Possuímos discernimento para saber viver em ordem e em paz. Não é preciso escangalhar para ter vez e voz. Afinal muitas vezes a própria ignorância cria sua máscara e molda-se à realidade do seu povo. Os fanáticos políticos que me perdoem, mas sinto que estamos participando de uma democracia falida , descomposta e infiel aos princípios que foram delegados quanto à etimologia da palavra que aqui está em questão: LIBERDADE!
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Segunda-feira, Setembro 27, 2004
QUERO
Estou cansada de promessas vazias, de sonhos pela metade. De ilusões batendo na porta de madrugada!
Quero a paz de pequenos momentos. Não quero amor a qualquer hora, sem sentimento. Quero sentir que estou viva. Que me amo e que sou importante.
Não quero mais ter lágrimas nos olhos, não desejo a saudade, o desamparo, o vazio dos dias. Só quero vida, dias claros, alegres.
Estou cheia dessas bobagens que dinheiro é o importante. Estou cheia dessas pessoas que pisam sem ver onde estão, se machucam ou não.
Quero a igualdade dos dias. A clareza dos fatos, quero ser eu.
Se me proibirem de sentir quem sou, o que faço neste mundo? Por que ele me abriga se só de ilusão eu rastejo?
Quantos engodos, quantas fidedignas moléstias. Quantos furos, quantas paredes trincadas. Quantos medos em quartos escuros.
Quero o cheiro doce da manhã, quero o orvalho do amanhecer. Quero a saudade do cheiro de pão pela casa, quero presenciar alegria de novo.
Não quero mais amarguras trancando suspiros em minha garganta. Não quero mais ser infeliz, com essa aparência machucada pela tristeza.
Quero sorrir com vontade, franzir a testa, sentir dor na barriga das risadas.
Quero pouco ! Quero reaver meus desejos, tão abatidos pelos descaso.
Quero as pessoas que foram saindo de mansinho da minha vida, sem deixar recado. Quero o cheiro, a calma, um banho quente, água no rosto.
Quero um sentido para tudo que realizo, tudo que ultrapasso.
Só quero ser feliz de novo!
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Terça-feira, Setembro 21, 2004
O Jornalista e a Lei
A organização dos homens está diretamente ligada às leis. São elas que ditam as regras e cabe aos homens segui-las para que exista harmonia e igualdade entre todos.
A sociedade deveria estar bem organizada e evoluída no sentido de respeitar o próximo, as suas diferenças, medos e dores. No entanto temos exemplos claros de falta de ética, postura profissional e formação adequada.
Grandes meios de comunicação estão se flagelando em busca de vendas. O que estamos vendo é uma imprensa sem alma, falida, cheia de descaso com as relações humanas. Essa imprensa não conhece a dor, não conhece a lágrima, apenas números de exemplares vendidos. Se prevalece do fracasso de almas para transpor números e mais números. Ridículos números e cifras!
Enquanto famílias choram por seus mortos, ''jornalistas''se enchem de orgulho por mais um ''furo de reportagem''. O mundo está um caos e glorificamos o ócio.Quanta tristeza!
Creio que a atual Lei de Imprensa deveria permanecer, pois o projeto da nova lei, anula questões de grande valia. É obvio que necessitaria algumas alterações na Atual Lei, como por exemplo, quais são os meios de comunicação existentes e o que cabe a cada um deles.
Acredito que não é justo simplificar os artigos e os parágrafos pelo simples fato de diminuir linhas. O conteúdo ficou vago e perdeu bastante com esse projeto.
Já possuímos uma imprensa que forja os mais fracos, que suprime as necessidades da ''classe burguesa'' e congestiona informações em jornais de fundo de quintal. Falta respeito com a profissão, falta interesse da classe dos jornalistas em buscar a ética e o bom senso. Passar a mão na cabeça não resolve, pelo contrário, só dá mais vazão aos hipócritas de plantão.
Seremos jornalistas, comprometidos com a verdade dos fatos. Comprometidos com a realidade e com o povo brasileiro. Não podemos tirar de ninguém a verdade que lhes cabe, é anti-ético e desumano.
Afinal os meios de comunicação nos envolvem desde que acordamos até a hora em que vamos nos deitar, é como se fosse um ritual. A televisão está programada para nos acordar, o rádio nos acompanha nas casas por onde passamos até chegar no serviço, o dia passa embalado pelas músicas e notícias. À noite vemos os telejornais, as novelas, os filmes, os enlatados...
No entanto ainda existem aqueles que são profissionais e que trabalham com seriedade, que buscam um jornalismo puro, simples e não simplório, que priorizam a verdade e o respeito ao próximo. Mesmo porque o mundo da comunicação compreende muitas coisas, muitas ondas, muitas linhas e pessoas. Isso mesmo, pessoas, que são passíveis de desacertos, mas que mesmo errando, existem para mandar até você a notícia que lhe falta, o conforto das palavras que muitas vezes não conseguem ser ditas, as flores que nunca são vistas, ou o conselho que só uma mãe te daria e você recebe tudo isso todos os dias, todas as horas, através de pessoas que talvez você nunca venha a conhecer, mas que sabem que estás aí, esperando apenas mais uma notícia para seu dia fazer sentido.
Imagine você sem eletricidade. Sem música , sem som, sem luz, sem movimento. Qualquer que seja o movimento. Imagine nossos antepassados com o advento da escrita com a invenção da Maria - fumaça, dos longos trilhos que transportavam sonhos e grãos pelo País. É assim que o progresso chega. Trilhando caminhos.
Buscar nossos direitos como jornalistas vem depois de reconhecer nossos deveres como profissionais e como cidadãos.
Qualquer que seja a Lei de Imprensa que venha a vigorar, devemos ter plena consciência de que não basta existir uma lei que nunca é seguida ou cumprida Devemos ser honestos e críticos do nosso próprio trabalho. Perfeitos nunca seremos, mas quem é?
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Quinta-feira, Setembro 02, 2004
PERMANÊNCIA
Mesmo que me fosse negado o direito de transmitir em palavras o que eu sinto, mesmo assim, permaneceria aqui com minhas lágrimas. Até porque não há como dizer em palavras, o que senti quando vi Felix Carbajal , com seus 98 anos, declamando um poema de Manuel Bandeira . Foi um instante mágico e me vi penetrada na vida daquele ser magnífico. Não me importava que os outros colegas estivessem me olhando e rindo da minha atitude,do meu choro inconsolável,eu fiz o que meu coração mandou. Quanto mais eu prestava atenção ao poema mais eu me afastava daquela sala e penetrava naquele tom de voz que me fazia chorar. O que ele estava falando era lindo e mesmo que não tenha sido ele o autor, não importava , me emocionou. Foi um fenômeno. E a vida é cheio deles. Os que mais presenciamos são os químicos e fisicos, para os quais o tempo não pára.
O relógio da vida não marca local, nem faz previsões, mas deixa de ser sutil quando adultera os sentimentos. Esse relógio transborda emoções com seus delicados ponteiros e é assim que embarcamos nas viagens mais fantásticas pela história. Voltam os cheiros que tinham se perdido na infância, retornam as festas de aniversário, o primeiro beijo, a formatura, a família toda reunida na hora das refeições rezando o ''Pai 'Nosso '' e como esquecer dos latidos do cachorro? Voltaram tantas lembranças