A ROTA
Pretendia eu, desmistificar todas as sombras,
Todos os conjuntos de auroras boreais,
Esquecer que dentre os mansos conceitos
Vivemos em guerra, nada mais.
Quem me dera ver as noites frias,
Da janela do quarto seu,
Mas me arrasto na certeza,
De que a vida agora me despreza
Me jogando contra a terra e ...
...tirando vidas e sonhos meus.
Pretendia eu, arraigar-me pelos ventos,
Deslizar pelos meus frágeis planos,
Mas o medo me apavora,
Ele está aqui e agora.
Eu vejo o céu, vejo as estrelas,
E por um suave minuto de piedade,
Pude entender que na verdade,
Só vivo para morrer.
Enquanto luto bravamente, pessoas estão à minha frente,
Destruindo o meu querer.
Pretendia ser mais que um escoteiro,
Mais que o mês que passa inteiro,
Mais que a brisa que te enche de suspiros,
Mas eu sou apenas um momento.
Fecho os olhos, sou pequeno,
E a incerteza da saudade dói.
Me tranco no desespero,
Que a vida perdeu seu tempero,
Voltam os dias e os janeiros,
É só uma guerra e nada mais.
Pretendia sua presença,
Enquanto escrevo meus boêmios pensamentos.
Eles são assim, sinceros, verdadeiros,
Eles falam de mim,
quando já não suporto mais o peso das botas,
nem das armas, nem as bombas,
Eu mudo a minha rota.
Chorar lhe fará bem,
Faça assim , pegue aquele trem e siga,
Apenas siga feliz ...isso foi o que eu sempre quis.
AMANDA FREITAS - 11:38 AM